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China faz maior usina de energia limpa do mundo, mas que também vai poluir

Usina em Shenzhen vai produzir 550 milhões de KWh por ano --ou 45,8 milhões de KWh por mês - Reprodução/YouTube Dezeen
Usina em Shenzhen vai produzir 550 milhões de KWh por ano --ou 45,8 milhões de KWh por mês Imagem: Reprodução/YouTube Dezeen

Thiago Varella

Colaboração com o Tilt

14/12/2019 04h00

Sem tempo, irmão

  • Usina em Shenzhen vai produzir 550 milhões de KWh por ano e deve ficar pronta em 2020
  • Telhado de 66 mil m² será coberto com painéis fotovoltaicos, absorvendo energia solar
  • Ainda assim, usina vai liberar equivalente metade do que um aterro médio produz de CO²

Uma usina gigantesca está sendo construída em Shenzhen, um dos maiores polos de tecnologia do mundo, para transformar parte do lixo gerado pela cidade em energia elétrica. A previsão é de que a obra seja inaugurada no ano que vem. A instalação vai produzir 550 milhões de kWh por ano —ou 45,8 milhões de kWh por mês— e deverá ser a maior geradora de bioenergia do planeta.

Se considerarmos que uma residência pode gastar em média 150 kWh, isso daria para fornecer energia para mais de 305 mil casas.

Com uma população de 20 milhões de habitantes, Shenzhen, no sul da China, produz 15 mil toneladas de resíduos sólidos por dia. Um terço dessa quantidade — 5 mil toneladas — será processado diariamente pela usina.

O projeto arquitetônico da usina é dos escritórios dinamarqueses Schmidt Hammer Lassen Architects e Gottlieb Paludan Architects, que ganharam uma competição para fazer o desenho da obra.

Segundo os arquitetos, a usina "usará a tecnologia mais avançada em incineração de resíduos e geração de energia".

O edifício circular terá um telhado de 66 mil metros quadrados, dois terços dos quais serão cobertos com painéis fotovoltaicos, permitindo que o edifício gere seu próprio suprimento sustentável de energia solar.

Uma obra deste tamanho também terá atrativos turísticos. A usina terá uma série de instalações para visitantes, incluindo uma passarela em loop que vai oferecer uma visão dos bastidores do funcionamento interno da instalação, antes de levar a uma plataforma de observação no telhado.

Em entrevista ao site Dezeen, o arquiteto Chris Hardie, chefe do escritório de Schmidt Hammer Lassen em Xangai, na China, afirmou que o projeto tem o objetivo de fornecer um ambiente limpo, simples e moderno para lidar com o crescente acúmulo de lixo na cidade.

"Ao mesmo tempo, o objetivo é educar os visitantes para esse desafio crescente de resíduos, levando-os a um passeio pela fábrica que termina com uma vista panorâmica de 1,5 km tanto das montanhas ao redor quanto do teto da usina", disse.

Ecológica? Nem tanto...

Deixando o lado arquitetônico de lado e partindo para a geração de energia, a usina de Shenzhen funcionará da seguinte maneira: primeiro, os resíduos sólidos serão incinerados. O calor produzido por essa ação vai acionar uma turbina, que vai gerar eletricidade.

Ainda que o processo seja sustentável, há um lado negativo. A queima de lixo libera CO2, um dos gases que provocam o efeito estufa. Os arquitetos responsáveis pela obra afirmam, no entanto, que, ainda assim, a usina vai liberar só metade do que um aterro médio produz desse mesmo gás.

Já há gente preocupada na região. Um grupo de moradores locais teme que as cinzas de resíduos do aterro e poluentes liberados no ar pelo incinerador acabem em um reservatório de água próximo. Por isso, tentaram que a usina fosse construída em uma área menos densamente povoada, mas não tiveram sucesso.

Outro possível problema da usina é que, apesar de ter a capacidade de processar um terço do lixo produzido em Shenzhen, a quantidade de resíduos da cidade vem aumentando 7% ao ano.

Segundo o Banco Mundial, a China é o país que mais produz lixo no mundo e tem hoje 300 usinas de bionergia. Essa capacidade aumentou anualmente 26% nos últimos cinco anos. Além disso, o país é atualmente o destino de boa parte do lixo produzido no mundo. Isso porque faz parte da estratégia nacional chinesa importar resíduos para reciclagem, como plástico, papel e metais.

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Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado inicialmente, o CO2 não é um gás tóxico para a atmosfera, mas, sim, um dos gases responsáveis pelo efeito estufa.

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