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Por que Damares Alves quer que você largue o celular neste domingo

Damares Alves se diz preocupada com "a forma como as crianças ficam soltas na internet" - Divulgação/Assembleia do Espírito Santo
Damares Alves se diz preocupada com "a forma como as crianças ficam soltas na internet" Imagem: Divulgação/Assembleia do Espírito Santo

Cristiane Capuchinho

Colaboração para Tilt

08/12/2019 10h29

Sem tempo, irmão

  • Campanha #detoxdigitalBrasil quer dedicar dia 8 a debate sobre uso controlado da internet
  • Brasileiro passa por dia, em média, três horas e 45 minutos navegando em redes sociais
  • Aplicativos e ferramentas ajudam a monitorar tempo gasto com celular ativo

Neste ano, o Ministério dos Direitos Humanos decidiu criar uma campanha de desintoxicação digital, a,#detoxdigitalBrasil, que pede que neste domingo (8) fiquemos 24 horas desconectados. A iniciativa já acontece em outros países. Na França, por exemplo, a campanha 3D8 (Digital Detox Day) chama todos a dedicarem parte do dia 8 de cada mês à reflexão e o debate sobre o uso controlado da internet.

A ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, reforçou a campanha em sua conta do Twitter e até fez graça, mostrando como serão as versões offline de situações digitais do nosso cotidiano.

Mas por que isso importa?

O brasileiro passa por dia, em média, três horas e 45 minutos navegando em redes sociais, segundo a empresa de pesquisa GlobalWebIndex, que monitora 45 países. O tempo gasto nas redes sociais cresceu quase 60% em sete anos.

Para reforçar seu ponto, o ministério usa uma pesquisa do Ibope de fevereiro deste ano, que dizia que:

  • 52% dos brasileiros não conseguem ficar um dia inteiro longe do celular
  • 16% apontaram que o uso do smartphone atrapalha no âmbito profissional
  • 16% dos internautas relatam que o relacionamento com a família é afetado
  • 12% se distraem com o aparelho enquanto dirigem
  • 9% disseram que a saúde é afetada
  • 8% veem o ambiente escolar influenciado
  • 6% apontam que o telefone celular prejudica a vida sexual

    A ideia é que cada um fique sem internet quantas horas conseguir e depois vá para a internet, ao final da campanha, contar para a gente como foi a experiência. É isso mesmo, não queremos condenar o uso da tecnologia ou afastá-la do nosso dia-a-dia, pois ela veio para ficar. É para que as pessoas reflitam o quanto o uso excessivo afeta a vida pessoal, o convívio familiar e, a partir daí, façam o uso consciente dos eletrônicos
    Damares Alves

    Nos últimos anos, descobrimos que conhecimentos de neurociência e psicologia foram usados por empresas de tecnologia para criar dispositivos e aplicativos que ampliassem a chance de ficarmos viciados neles. E funcionou.

    A solução oferecida por essas mesmas empresas, como Google e Apple, são aplicativos e ferramentas que ajudam a monitorar o tempo gasto com o celular ativo ou nas redes sociais.

    No Android 9, o Google criou o app Bem Estar Digital, que monitora e restringe várias funções e apps do sistema. E o Android 10 trouxe outros atalhos como o modo "sem distrações", que permite selecionar um grupo de apps que você considera como "causadores de distração" e silenciar suas notificações.

    Desde o iOS 12 da Apple, a função "Tempo de Uso" passou a trazer um contador exato de quanto tempo cada usuário gasta no smartphone, aplicativo por aplicativo. Outras funções são limitar notificações, selecionar um horário para o "Não perturbe" funcionar de forma mais avançada durante a noite, restringir tempo de uso por aplicativo e aplicar um bloqueio a todos os apps, com exceção a chamadas e SMS.

    Em um dos tuítes acima, Damares se mostrou preocupada com "a forma como as crianças ficam soltas na internet". De fato, as crianças estão entre as mais suscetíveis ao vício em tecnologia. Uma pesquisa feita no Reino Unido com estudantes de dez a 15 anos de idade, publicada em 2016, concluiu que quanto mais tempo as crianças passam nas redes sociais, menos elas se sentiam satisfeitas com a sua vida.

    Se você acha que é dependente digital, em São Paulo há ao menos dois serviços gratuitos de atendimento a adolescentes e adultos: o Programa de Orientação e Atendimento (Proad) da Unifesp, no telefone: (11) 99645-8038; e o Ambulatório Integrado do Controle dos Impulsos do Hospital das Clínicas de São Paulo, no telefone: (11) 2661-7805.

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