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FBI alerta: FaceApp, que envelhece fotos, traz risco real de segurança

O FaceApp atraiu a curiosidade de milhões, inclusive celebridades brasileiras - Reprodução
O FaceApp atraiu a curiosidade de milhões, inclusive celebridades brasileiras Imagem: Reprodução

Rodrigo Trindade

De Tilt, em São Paulo

05/12/2019 17h49

Sem tempo, irmão

  • Órgão respondeu pedido de senador americano e reforçou suspeitas contra app russo
  • FBI definiu FaceApp como "potencial risco de contrainteligência"
  • Preocupação vem por conta de lei que permite controle de redes russa pelo governo local

De brincadeira inofensiva e viral na internet para potencial risco de contrainteligência. Essa foi a trajetória do FaceApp de julho, quando o aplicativo virou uma febre no Brasil e no mundo, até o dia 25 de novembro. Nesta data, o senador americano Chuck Schumer recebeu uma resposta do FBI, meses depois de enviar uma carta na qual o político pedia ao órgão uma investigação do aplicativo.

Ao analisar os termos de uso do app, o FBI destaca que a empresa russa explora dados dos celulares que redes sociais também usam, com a diferença de que o FaceApp envia as fotos dos usuários para manipulação em servidores na nuvem. Estes não estariam localizados na Rússia, mas nos Estados Unidos, Singapura, Irlanda e Austrália.

Apesar do que está escrito no documento, no entanto, o FBI é reticente sobre a veracidade do que a empresa diz fazer.

"O FBI considera qualquer aplicação móvel ou produto similar desenvolvido na Rússia, como o FaceApp, como um risco potencial de contrainteligência, tendo como base os dados que o produto coleta, seus termos de uso e políticas de privacidade e os mecanismos legais disponíveis ao governo russo que permitem acesso a dados dentro das fronteiras russas", diz o documento escrito em resposta a Schumer.

O texto faz alusão às liberdades que os serviços de inteligência russa têm dentro do país, que incluem o acesso remoto a todas as comunicações e servidores feitos por meio das redes russas sem qualquer tipo de requisição aos provedores de internet. Neste contexto, dados transmitidos e armazenados dentro do país estão vulneráveis à exploração das forças de segurança locais.

Como os Estados Unidos estão a um ano de uma nova eleição presidencial - e a última teve interferência cibernética russa -, o FBI também está atento à possibilidade de "operações de influência externa" que tenham envolvimento do FaceApp e mirem autoridades eleitas, candidatos, campanhas políticas e partidos.

A resposta do FBI veio após Schumer dizer, em julho, que tinha "sérias preocupações quanto à proteção dos dados que estão sendo agregados, bem como se os usuários estão cientes de quem poderão ter acesso a eles".

O FaceApp existe desde 2017, mas acumulou a maioria das 150 milhões de fotos em seu banco de dados após a viralização em julho. A popularização massiva aconteceu sem que grande parte dos usuários soubesse das autorizações dadas à empresa no ato do uso do aplicativo.

Buscando defender os brasileiros que editaram suas fotos no app sem saber com o que estavam concordando, o Procon multou Google e Apple por um desrespeito ao Código de Defesa do Consumidor. Se o caminho seguido fosse o do Marco Civil da Internet, a história seria outra.

De todo modo, quem usou o FaceApp deu à empresa uma "licença perpétua, irrevogável, não exclusiva, isenta de royalties, global, totalmente paga e transferível" para capitalizar com as fotos por lá compartilhadas. Na ocasião, o blog Tecfront detalhou tudo o que você abriu mão para saber como você será quando for alguns anos mais velho. Valeu a pena?

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