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Sistema cruza dados e mostra que radares em SP evitam mortes e acidentes

Radares em São Paulo são alvo de questionamentos, mas funcionam - Newton Menezes/Futura Press/Folhapress
Radares em São Paulo são alvo de questionamentos, mas funcionam Imagem: Newton Menezes/Futura Press/Folhapress

De Tilt, em São Paulo

29/11/2019 15h03

Sem tempo, irmão

  • Nem todo mundo concorda com a existência de radares nas ruas de São Paulo
  • Trio de matemáticos da USP cruzou dados da Prefeitura e provou que eles são eficientes
  • Num raio de até 50 m do radar, o número de acidentes é baixo
  • Se o raio é ampliado, aumenta também a quantidade de acidentes
  • Ou seja, mais radares têm o potencial de reduzir acidentes, mortes e gastos com saúde

Existem na cidade de São Paulo cerca de 900 equipamentos de fiscalização eletrônica atuando nas ruas e avenidas, que registram inúmeros dados e podem ajudar no planejamento de políticas públicas de mobilidade urbana e segurança viária. Pensando nisso, três pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) desenvolveram um sistema para cruzar dados e medir a eficácia desses radares.

A ferramenta permite a filtragem dos acidentes por ano ou a exibição de todas as ocorrências. Ao clicar em um radar, o usuário ainda encontra dados como número de autuações e contagem de veículos registradas pelo equipamento.

"Analisamos a posição dos radares e confrontamos com a base de dados de acidentes reportados pela prefeitura. Em um raio de até 50 metros próximo ao radar, o número de acidentes é baixo. Se abre o raio, aumenta também a quantidade de acidentes", explica Eduardo Santana, pesquisador do Instituto de Matemática e Estatística (IME) da USP, que criou o sistema juntamente com os colegas do instituto Higor Amario e Éderson Cássio.

A análise indicou que a presença de radares reduz a quantidade de acidentes que ocorrem nas proximidades onde o aparelho está instalado. Ou seja, mais radares têm o potencial de reduzir o número de acidentes, evitando também a ocorrência de mortes —e, consequentemente, gastos com saúde.

Pode parecer óbvio, mas os pesquisadores ressaltam que o estudo pode ajudar a conscientizar a população sobre a importância dos radares para a segurança viária, que nem sempre é consenso.

O cruzamento de outros dados também poderia apontar mais cenários. "Nas bordas da cidade, quase não tem radares e também infraestrutura. E lá tem muitos acidentes", conta Santana.

O trio ganhou o prêmio de R$ 12.593,98 de um hackathon organizado pela Prefeitura de São Paulo para buscar soluções inovadoras na utilização de informações da base de dados dos radares em funcionamento na cidade. Segundo Santana, ainda não houve um parecer formal da prefeitura sobre a utilização da plataforma criada no cotidiano das ruas e avenidas paulistanas. "Mas a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostrou interesse de uma parceria. Até porque eles tinham os dados, mas nunca colocaram no mapa dessa forma que fizemos."

O sistema criado durante o Radartona pode ser acessado aqui. (Com Jornal da USP)

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