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Pela impressão digital, software brasileiro identificou cadáver de 40 dias

Perito precisou fazer uma dissecação da pele que recobre os dedos do indivíduo - Sindpep/Divulgação
Perito precisou fazer uma dissecação da pele que recobre os dedos do indivíduo Imagem: Sindpep/Divulgação

Luiza Ferraz

Colaboração para Tilt

20/11/2019 04h00

Sem tempo, irmão

  • Software da Griaule usou apenas a digital do corpo, mesmo deteriorado
  • Empresa brasileira fechou um contrato até com o Pentágono dos EUA
  • Pele é dissecada e depois reidratada; após estas etapas, identificação foi possível
  • Tecnologia pode ser útil em hospitais, eleições e bancos, evitando até roubo de bebês

Um corpo desaparecido há 40 dias foi encontrado em estado de decomposição avançada no município do Morro do Chapéu, na Bahia. Devido à sua deterioração, o processo de identificação poderia ser duvidoso, mas um programa de reconhecimento usado até pelo FBI, principal órgão de polícia dos EUA, tornou isso possível.

Trata-se do software desenvolvido pela Griaule, empresa brasileira que produz tecnologia de ponta para o reconhecimento de impressões digitais, face, íris e voz. Hoje, ela conta com clientes brasileiros, como o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), delegacias técnicas de diversos estados, hospitais e bancos.

"No ano passado, a gente fechou um contrato com o Pentágono, Departamento de Defesa dos Estados Unidos, para fornecer um sistema de identificação no Afeganistão e no Iraque. Esse é um dos maiores contratos na parte de identificação biométrica do mundo", disse João Weber, diretor de negócios da Griaule.

Pele extraída do polegar direito do cadáver - Sindpep/Divulgação
Pele extraída do polegar direito do cadáver
Imagem: Sindpep/Divulgação

Identificação do cadáver

Nesse caso mais recente, devido ao estado de putrefação em estágio esqueletizado, o perito responsável pela investigação, Wênniton Menezes de Souza, precisou fazer uma dissecação da pele que recobre os dedos do indivíduo e depois uma reidratação desta mesma pele, para que as "papilas dérmicas" pudessem se regenerar. Este método é chamado de exame necropapiloscópico.

"Neste momento, a ferramenta Griaule Forensic é muito importante. Ela solidifica o trabalho do especialista em identificação", explicou o perito. Com os exames necropapiloscópicos e a ajuda do programa, o corpo foi identificado -e, segundo a família, o homem havia desaparecido há 40 dias.

Preparação do dedo para o processo - Sindpep/Divulgação
Preparação do dedo para o processo
Imagem: Sindpep/Divulgação

"A grande dificuldade desses casos é que a polícia encontra uma impressão digital muito danificada na cena do crime. Com isso, após serem utilizadas as técnicas de perícia, o software possibilita aplicar diversos tratamentos na imagem do fragmento, como filtros e entre outras ferramentas", explicou Weber.

Feito todo o processo de tratamento e melhora do material, o programa propicia a identificação das impressões com base no banco de dados de determinada região e estado. Nesse caso, foram usadas as informações do Instituto de Identificação Pedro de Mello (IIPM), da Bahia.

Em outra situação, foi usada a base de dados do TSE para descobrir a identidade de dois cadáveres que não haviam sido reconhecidos. "Agora, a partir do cadastro de eleitores, você consegue resolver crimes. É um resultado muito bom para a sociedade", ressaltou.

Polegar em processo de tratamento - Sindpep/Divulgação
Polegar em processo de tratamento
Imagem: Sindpep/Divulgação

De bebê roubado à fraude eleitoral

Além da identificação criminal, essa tecnologia pode auxiliar em diversos outros usos, como hospitais, eleições e bancos, para evitar fraudes; e outros golpes, como a troca e roubo de bebês.

Nos hospitais, é cadastrada a palma da mão dos recém-nascidos, já que seus dedos ainda são muito pequenos e armazenam pouca informação biométrica. Ainda na sala de parto, a sua 'identificação palmar' é colocada juntamente à identificação da mãe para que não haja qualquer conflito.

Fragmento da impressão digital com tinta - Sindpep/Divulgação
Fragmento da impressão digital com tinta
Imagem: Sindpep/Divulgação

Esse projeto visa o reconhecimento de crianças com menos de um ano, prevenindo situações de troca de bebês, assim como sequestros e também garantindo a segurança deles e de seus pais.

No caso do Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, essa medida é utilizada para que não aconteça fraude ou duplicidade eleitoral, ou seja, uma mesma pessoas tirando dois títulos de eleitor. Desta maneira, o cidadão pode ser cadastrado apenas uma vez no banco de dados da instituição.

"Tem um caso emblemático em que foi detectada uma pessoa tentando obter 52 títulos de eleitor. Ao investigarem mais fundo, viram que ela continha 52 identidades e CPFs diferentes. Imagina só o impacto que isso poderia ter, tanto em época de eleições como em pedidos de empréstimos para o banco?", lembrou o executivo.

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