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Sistema de propulsão no espaço sem combustível? É real e EUA querem testar

Ilustração do TEPCE, invento do Laboratório de Pesquisa Naval dos EUA para tirar lixo da órbita da Terra - Sarah Peterson/U.S. Naval Research Laboratory
Ilustração do TEPCE, invento do Laboratório de Pesquisa Naval dos EUA para tirar lixo da órbita da Terra Imagem: Sarah Peterson/U.S. Naval Research Laboratory

Vinícius de Oliveira

Colaboração para Tilt

14/11/2019 04h00

Sem tempo, irmão

  • Satélite TEPCE, dos EUA, é formado por dois cubos e corda quilométrica e forte
  • Corda interage com campo magnético da Terra e muda velocidade de órbita de satélites
  • Essa interação daria empurrão no lixo espacial em direção ao nosso planeta

Enquanto você lê este texto, uma nuvem enorme de lixo espacial está orbitando a Terra. São mais de 23 mil satélites que ainda funcionam e outros que foram abandonados, mas que podem se tornar um empecilho para a navegação espacial. Nas próximas semanas, o Laboratório de Pesquisa Naval dos EUA pretende testar uma nova tecnologia para mandar parte desse lixo de volta ao planeta sem gastar combustível químico.

Eles lançaram em órbita um satélite (TEPCE, na siga em inglês) do tamanho de uma caixa de sapatos e que pode se dividir em dois cubos iguais.

As peças são conectadas por uma corda quilométrica e forte, da grossura de vários pedaços de fio dental. O resultado parece uma espécie de nunchaku, aquela arma de artes marciais que consiste em dois bastões pequenos conectados por uma corrente.

Se tudo ocorrer como esperado, os cientistas poderão observar como a corda do TEPCE interage com o campo magnético da Terra na ionosfera para interagir com outros satélites, mudando a velocidade da órbita deles.

Essa interação daria um pequeno empurrão no lixo espacial em direção ao nosso planeta. Além disso, a expectativa é que os resultados possibilitem que espaçonaves no futuro usem esse mesmo sistema de propulsão para navegar na órbita da Terra sem utilizar combustível químico.

"Em outras palavras, será como navegar no espaço", afirmou o professor de engenharia Enrico Lorenzini, da Universidade de Padova, à publicação "Scientific American". Porém, em vez de vento, as espaçonaves usarão correntes eletrodinâmicas e se moverão graças às leis da física.

Mas como o TEPCE funciona? A corda do satélite coletará elétrons da ionosfera em uma ponta e mandará eles para a outra ponta, criando uma corrente elétrica no cabo. A interação dessa corrente com o campo magnético da Terra produzirá uma força de impulso conhecida como Força de Lorentz.

Apesar de não ter sido testado ainda, o conceito pode transformar a limpeza do espaço em algo muito mais fácil e simples do que as outras ideias que surgiram até hoje —que vão desde a instalação de redes gigantes até, literalmente, arpões que içariam os satélites desativados.

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