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Por que a Huawei dará US$ 286 milhões como recompensa a seus funcionários

Huawei dará recompensa em dinheiro e mais um salário a seus funcionários -
Huawei dará recompensa em dinheiro e mais um salário a seus funcionários

De Tilt, em São Paulo

13/11/2019 14h30

A Huawei disse nesta terça-feira (12) que distribuirá 2 bilhões de iuanes (US$ 286 milhões) em recompensas em dinheiro para os funcionários que trabalharam para ajudar a enfrentar a entrada na lista de boicote dos EUA.

O dinheiro é uma marca de reconhecimento pelo trabalho diante da pressão dos EUA, afirmou o departamento de recursos humanos da chinesa, em um comunicado a funcionários visto pela Reuters. Também pagará em dobro este mês para quase todos os seus 190 mil trabalhadores —as recompensas em dinheiro provavelmente vão para as equipes de pesquisa e desenvolvimento e para aqueles que trabalham para mudar as cadeias de fornecimento da empresa, disse um porta-voz da empresa.

Entenda o imbróglio

Não adiantou prender a diretora financeira da Huawei, filha do fundador, nem divulgar vídeos contra a empresa ou pressionar países aliados a aderir ao boicote —a companhia está desde maio na lista de empresas com acesso vetado ao mercado americano e à compra de componentes cruciais. A Huawei segue ganhando mercado.

A chinesa anunciou no mês passado um aumento de 24,4% em sua receita durante os nove primeiros meses do ano, que chegou a 610,8 bilhões de yuanes (US$ 86,2 bilhões). A margem de lucro subiu 8,7%.

Em paralelo, as operadoras de telefonia móvel da Europa fazem fila para comprar seus equipamentos para redes 5G, apesar da fiscalização mais rígida por conta das alegações dos EUA. Dos 65 acordos comerciais que a Huawei assinou, metade foi com clientes europeus que estão construindo redes sem fio de quinta geração ultrarrápidas.

A Alemanha, a maior economia da Europa, também divulgou uma proposta de um conjunto de regras sobre segurança de redes 5G que não menciona a China ou a Huawei como ameaças; em vez disso, exige que todos os fornecedores e operadores atendam a critérios comuns.

Washington teme que os equipamentos da Huawei contenham brechas de segurança que permitam a Pequim espionar as comunicações globais, o que o grupo chinês nega. Por trás desta alegação, existe uma disputa geopolítica entre China e EUA, que ganhou novos contornos quando Trump determinou que outras oito empresas chinesas se juntassem à Huawei no grupo que é impedido de comprar componentes americanos sem a aprovação governamental.

Pelo seu tamanho e área de atuação, a Huawei virou um bode expiatório. O grupo chinês domina segmentos de infraestrutura de telecomunicações, inclusive no Brasil, já é o segundo maior fabricante de celulares do mundo, e desponta como o principal fornecedoras de redes 5G do planeta.

Os EUA temem que os laços da empresa com o governo chinês possam significar a instalação de redes de telefonia móvel com "portas dos fundos", brechas de segurança que poderiam permitir que a China interceptasse dados nos locais onde o 5G for providenciado por equipamentos da Huawei.

Google, Qualcomm e Intel, entre outras empresas americanas, confirmaram que iriam aderir às ordens governamentais, interrompendo a venda de componentes à Huawei. O caso do Google foi o mais crítico, já que os celulares da marca chinesa utilizam o sistema operacional Android.

Embora esteja com a licença temporária para comprar o que for necessário de empresas americanas e "atender clientes existentes", a Huawei está bem posicionada para diminuir sua dependência de fornecedores estrangeiros. Ao contrário da maioria de seus concorrentes no mercado de smartphones, a marca não depende de processadores terceiros, já é proprietária e utiliza os processadores da chinesa HiSilicon.

Em agosto, a empresa chinesa também revelou o HarmonyOS, seu próprio sistema operacional. Com ele, o Android deixa de ser essencial, embora ainda existam questões sobre de onde virão os aplicativos compatíveis - o acesso à Play Store, do Google, está na lista de restrições impostas pelo governo americano. (Com Reuters)

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