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Esta startup do Chile está transformando lixo plástico em pranchas de surfe

Prancha de surfe sustentável criada pela Sustentabla. À direita, o pellet, biocombustível usado como matéria prima para a fabricação das pranchas - Arquivo pessoal
Prancha de surfe sustentável criada pela Sustentabla. À direita, o pellet, biocombustível usado como matéria prima para a fabricação das pranchas Imagem: Arquivo pessoal

Rafael Carneiro

Colaboração para Tilt, em Santiago

06/11/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Startup chilena Sustentabla desenvolveu prancha de surfe 100% sustentável
  • Empresa ajuda a promover a limpeza de praias e locais para recolher plástico
  • Lixo plástico do tipo polietileno é transformado em pellets, matéria prima da prancha

Com o objetivo de diminuir a poluição das praias e oceanos, no início de 2018 a startup chilena Sustentabla começou a desenvolver a primeira prancha de surfe 100% sustentável, a partir da transformação de resíduos plásticos em biocombustíveis sólidos, chamados de pellets.

Preocupada em usar a tecnologia para promover um impacto ambiental e social, a startup ajuda a promover a limpeza de praias e lugares de grande valor ecológico. Moradores locais, ONGs, escolas de surfe e outras entidades interessadas se envolvem no trabalho e aprendem como separar e categorizar os resíduos plásticos.

O lixo plástico que for do tipo polietileno é levado para Santiago, capital do Chile, onde indústrias especializadas os transformam em pellets. Depois, por meio do processo industrial da rotomoldagem, nascem as pranchas de surfe.

Pensamos na prancha de surfe porque era uma maneira de devolver esses plásticos ao foco do problema, mas de uma forma responsável. Além disso, o uso dela permite uma forte conexão entre as pessoas e a natureza, o que também é um dos nossos pilares
Daniela Larrea, 37, criadora da startup

Daniela conta que o primeiro lugar onde a Sustentabla realizou uma ação de limpeza foi a Ilha Mocha, na zona central do Chile. Na ocasião foram recolhidos 50 kg de lixo plástico. Atualmente, a startup realiza trabalhos em outras partes do país. Uma delas é a Reserva Marinha da Ilha de Chañaral. "A nossa ideia é chegar a todo o Chile, principalmente onde não há pontos de reciclagem, e isso se dá principalmente ao norte e ao sul", complementa.

Em pouco mais de um ano e meio de vida, a Sustentabla já foi contemplada duas vezes por programas da Start-Up-Chile, uma das principais aceleradoras desse tipo de negócio no mundo. Em maio de 2018, recebeu cerca de R$ 57 mil do "The S Factory", que busca iniciativas lideradas por mulheres. No início de 2019, a startup foi selecionada para o programa Huella, que prevê o dobro de dinheiro investido.

Preocupada em melhorar cada vez mais a qualidade das suas pranchas, a Sustentabla está desenvolvendo atualmente uma nova técnica, em que o plástico é presente apenas na parte interna do produto. Já na parte externa, é usado resina e fibras vegetais. Isso permite pranchas mais leves, adaptadas às necessidades dos surfistas e que possam ser utilizadas não apenas por quem está começando a praticar o surfe.

Negócio replicável

Após fabricadas, as pranchas da Sustentabla são vendidas e alugadas por meio de sua página na internet. Além disso, quando termina a vida útil do produto, a Sustentabla o recebe de volta para reciclá-lo novamente. Assim, evita a geração de lixo.

Um dos objetivos da startup para os próximos meses é ampliar a linha de produtos e começar a produzir pranchas para kitesurf e ski, entre outros esportes.

Daniela Larrea, uma das criadoras da Sustentabla - Rafael Carneiro
Daniela Larrea, uma das criadoras da Sustentabla
Imagem: Rafael Carneiro

Para Daniela Larrea, todo o trabalho desenvolvido pela Sustentabla também pode ser realizado em lugares fora do Chile. Basta apenas buscar onde estão e quais são as empresas de reciclagem desse tipo de material.

"Se outros países pensarem em soluções sobre o que fazer com os resíduos, principalmente aqueles que estão no oceano, será uma forma global de combater esse problema da poluição", afirma.

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