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Xiaomi traz celular com cinco lentes; afinal, por que tantas câmeras?

Xiaomi Mi Note 10 (ou Xiaomi Mi CC9 Pro) - Divulgação
Xiaomi Mi Note 10 (ou Xiaomi Mi CC9 Pro) Imagem: Divulgação

Márcio Padrão

De Tilt, em São Paulo

05/11/2019 18h24Atualizada em 06/11/2019 10h47

Se você tem acompanhado as notícias sobre celulares, já percebeu que aquela tendência das câmeras duplas tomou uma vitamina de açaí e está cada vez mais exagerada. Começou com a câmera tripla do Huawei P20 Pro e não parou mais. E nesta terça (5) tivemos o Mi Note 10 (ou Xiaomi Mi CC9 Pro), novo celular da Xiaomi com cinco câmeras traseiras —incluindo uma de 108 MP.

No Mi Note 10, além do sensor principal com os 108 MP, a lente telefoto tem 5 MP e zoom óptico de 5x; a lente para modo retrato tem 12 MP e zoom 2x; a grande angular é de 20 MP; e há ainda uma câmera macro (para fotos bem de perto), com 2 MP. A câmera de selfie tem 32 MP.

O ano passado deu uma alavancada na tendência. Tivemos a câmera quádrupla do Samsung Galaxy A9, a câmera tripla atrás e dupla na frente do LG V40, e o Honor Magic 2 da Huawei, com três lentes na traseira e mais três na frontal. Sim, seis câmeras.

Neste ano, a linha Galaxy A da Samsung chegou com vários modelos triplos, e até uma câmera giratória, o A80. O iPhone 11 também entrou na onda das triplas.

Achou demais? Saiba que pode vir muito mais por aí: a LG já patenteou um protótipo de câmera para celular com 16 lentes!

Ron Burgundy - Boy, that escalated quickly
Imagem: Reprodução

Quando a câmera dupla surgiu em celulares, explicamos o motivo: as fabricantes perceberam, ao longo dos anos, que a câmera é um dos apetrechos preferidos dos consumidores. Então, quiseram melhorá-las, o que é justo. As câmeras de lente única dos iPhones e Galaxies, por exemplo, ficaram mais rápidas e versáteis, mas continuavam (e ainda continuam, de certa forma) perdendo para câmeras profissionais ou algumas amadoras.

A evolução técnica do recurso esbarrava em questões práticas. Por exemplo, a qualidade de um zoom ou o aumento do ângulo de enquadramento não são possíveis usando a mesma lente para fotos convencionais, que se aproximam mais do comportamento do olho humano. Um conjunto de câmera mais comum, do tipo 50 mm, é construído para simular determinada distância focal, abertura de luz e ângulo de visão, com pouco espaço para a experimentação visual.

A solução, assim, foi colocar mais uma lente nas câmeras dos celulares para ampliar determinados recursos fotográficos.

Cada modelo de celular tem uma câmera dupla diferente. Do iPhone 7 Plus em diante, realizam modo retrato e zoom ótico de melhor qualidade que o digital, sem necessidade de softwares. No LG G5 e G6, as empresas ampliaram o enquadramento, permitindo fotos panorâmicas. No Galaxy S9+, a Samsung faz tanto zoom ótico quanto panorâmico.

Câmera tripla do Huawei P20 Pro - Reprodução
Câmera tripla do Huawei P20 Pro
Imagem: Reprodução

Ok, mas por que três, quatro etc...

Quando o Huawei P20 Pro surgiu, sua (até então) inédita câmera tripla suscitou dúvidas nos céticos, que viam apenas uma vontade de ampliar a tendência da câmera dupla para encarecer os celulares. O modelo chinês representava, na verdade, uma carta de intenções do mercado: com mais lentes, as câmeras de smartphones podem ficar ainda melhores.

A câmera tripla traseira do P20 Pro tinha um sensor de 40 MP colorido para a maioria das fotos convencionais, o que dá uma enorme resolução; outro de 20 MP preto e branco, para melhorar a captura de luz, mantendo as cores; mais um 8 MP telefoto, dotado de zoom ótico 3x, para aproximação sem granulação.

Geralmente os modelos de 2019 seguem esta linha: vem com uma câmera principal para fotos claras; uma outra para grande angular ou zoom; e mais uma para fotos em profundidade para o modo retrato. Se pintar recursos adicionais como lente macro ou foto noturna, mais lentes podem pintar.

O protótipo de 16 lentes da LG ainda é cercado de poucas informações, mas a patente menciona a possibilidade de tirar fotos de múltiplas perspectivas, podendo combinar o objeto da mesma imagem em ângulos diferentes, ou combinar fotos tiradas ao mesmo tempo de uma imagem em movimento, entre outros truques.

Qual é o limite?

São basicamente dois: o espaço físico do celular, já que mais lentes e sensores significa colocar mais peças no corpo do aparelho; e o dinheiro da sua carteira na hora de comprar modelos melhores, mas cada vez mais caros.

Câmera tripla do LG V40 - Divulgação/YouTube LG Korea
Câmera tripla do LG V40
Imagem: Divulgação/YouTube LG Korea

É o fim da câmera simples no celular?

Provavelmente. As empresas inicialmente colocaram câmeras duplas, triplas e afins em modelos top de linha ou intermediários, e alguns modelos de entrada —baratinhos, mas de ficha técnica básica— ainda trazem lente simples. Mas neste ano já tivemos exemplos de celulares de entrada com câmera dupla, como o Motorola Moto E6 Plus e a linha Galaxy M da Samsung.

De qualquer forma, acostume-se com a ideia de que a tendência provavelmente veio para ficar. Nossas fotos agradecem, mas esperamos que nossos bolsos consigam dar conta.

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