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Biorreator com IA e algas faz o trabalho de 400 árvores na captura de CO2

Biorreator Eos - Hypergiant/Divulgação
Biorreator Eos Imagem: Hypergiant/Divulgação

Raphael Evangelista

Colaboração para Tilt

02/11/2019 04h00

Sem tempo, irmão

  • Startup criou um biorreator compacto, que serve para prédios e casas
  • Com formato de um caixote, ele abriga algas que sugam o CO2
  • A eficiência dele na captura do gás é similar à de 400 árvores

Uma grande novidade em termos de preservação ambiental deve estar chegando muito em breve. Anunciado pela startup Hypergiant, o Eos é um protótipo de biorreator, que parece um grande caixote e recorre a uma curiosa característica para sugar dióxido de carbono: em seu interior, cultiva algas com a ajuda de inteligência artificial.

Os biorreatores são usados para fazer crescer organismos em ambientes controlados. Esse tipo de tecnologia está sendo cada vez mais usada como uma forma de compensar as emissões de gases e mitigar as mudanças climáticas.

Apesar de não serem plantas, algas também são capazes de fazer fotossíntese e, com isso, executar um complicado processo químico em que, de forma simplificada, retira dióxido de carbono da atmosfera para transformá-lo em energia.

Segundo uma pesquisa feita pela própria empresa, algas que crescem expostas a dióxido de carbono, luz e água tendem a tirar carbono da atmosfera de maneira mais eficiente do que árvores e plantas. O biorreator Eos tem a capacidade de armazenar cerca de 1.780 litros de dióxido de carbono dessas algas. Esse volume é equivalente a aproximadamente ao que fariam 400 árvores — isto é, em torno de um acre (4.046 m²) delas.

Além disso, quanto mais essas algas absorvem carbono, mais algas podem produzir. E elas podem ser usadas como matéria-prima para fertilizante, combustível, óleos, plásticos e muitos outros produtos, de maneira mais sustentável, reduzindo a emissão de carbono.

O caixotão (mede 90 cm de largura por 90 cm de profundidade e dois metros de altura) foi desenhado para cultivar o máximo de algas no menor tempo possível. Para isso, controla fatores como luz, dióxido de carbono disponível, temperatura e ciclo de colheita dessas algas.

Pesquisadores do mundo todo buscam com frequência por alternativas de reciclar e diminuir a emissão do CO2, gás que, em quantidades excessivas, é um dos maiores responsáveis pelo efeito estufa e alterações climáticas.

O anúncio do biorreator Eos vem pouco depois de as Nações Unidas definirem uma meta de redução de 45% até 2030 e uma emissão próxima do zero até 2050 para diminuir as mudanças climáticas que poderiam ser catastróficas.

O objetivo é muito similar ao do Acordo de Paris que, entre outras coisas, visa o equilíbrio entre a emissão e absorção de gases do efeito estufa. Ele busca coisas como o fim das energias fósseis (carvão, petróleo, gás) e a captação de CO2 (até esse momento, uma técnica que ainda não está disponível) para continuar a explorar tais energias.

Por seu tamanho compacto, o biorreator Eos pode ser usado em prédios em centros urbanos, ainda mais por ser mais eficiente, controlável e sustentável do que biorreatores comuns. Existem planos de se criar versões para tetos de prédios e modelos para casas. Já imaginou ter um biorreator desses no seu quintal, ajudando a melhorar o planeta?

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado inicialmente, o biorreator não tem o formato de um cubo e, sim, de um hexaedro irregular.

Ciência