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Seria melhor? Facebook já cogitou proibir anúncios políticos na rede social

Zuckerberg: "A internet no resto do mundo pode ficar como na China" - Stephen Lam/Reuters
Zuckerberg: "A internet no resto do mundo pode ficar como na China" Imagem: Stephen Lam/Reuters

De Tilt, com agência Bloomberg *

20/10/2019 15h55

O presidente do Facebook, Mark Zuckerberg, admitiu na quinta-feira (17) que já considerou proibir completamente os anúncios políticos em suas plataformas, mas que não fez isso por achar que favoreceria os que já ocupam cargos. Nas últimas semanas, políticos dos EUA intensificaram as críticas a anúncios políticos no Facebook.

Este tipo de publicidade representa uma parte pequena dos negócios da companhia, mas escândalos como o da Cambridge Analytica e o de redes de desinformação da Rússia causaram grandes estragos na reputação do Facebook.

Zuckerberg disse na quinta, a um auditório lotado na Universidade Georgetown, em Washington, que a rede social não verifica a veracidade dos anúncios políticos que veicula porque empresas de tecnologia não devem atuar como árbitros da verdade.

"Não acho que a maioria das pessoas queira viver em um mundo onde só se pode postar coisas que as empresas de tecnologia consideram 100% verdade", declarou Zuckerberg. "As pessoas devem ter a possibilidade de ver por si mesmas o que os políticos estão dizendo."

"Em uma democracia, acredito que as pessoas devem decidir o que tem credibilidade, e não as empresas de tecnologia", disse ele.

Eleições 2020 já em jogo

Os democratas Joe Biden e Elizabeth Warren, ambos pré-candidatos à presidência dos EUA, exigem que o Facebook remova anúncios com afirmações sem provas veiculados pela equipe do republicano Donald Trump, que tenta se reeleger. A empresa se recusou a retirá-los e, ao fazer isso, trouxe à tona uma questão mais ampla, sobre a necessidade ou não de regulamentação desses anúncios nas redes sociais.

A empresa não verifica a veracidade dos posts de políticos (incluindo anúncios) para não dar a impressão de que toma partido.

No começo deste mês, Warren aproveitou essa norma do Facebook e veiculou uma série de anúncios alegando que Zuckerberg estava apoiando a reeleição de Donald Trump —o que não é verdade.

Intencionalmente, fizemos um anúncio no Facebook com alegações falsas e o enviamos à plataforma de anúncios do Facebook para ver se ele seria aprovado. Foi aprovado rapidamente e o anúncio agora está sendo exibido no Facebook. Dê uma olhada
Elizabeth Warren

Warren, que tenta a vaga do Partido Democrata para concorrer à presidência, publicou a afirmação falsa para chamar atenção para a postura do Facebook, após a campanha de Trump veicular um anúncio acusando Joe Biden de subornar autoridades na Ucrânia, sem qualquer prova.

"O Facebook optou por vender os dados pessoais dos americanos a políticos que pretendem focar neles usando mentiras já refutadas e teorias da conspiração, se sobrepondo às vozes dos trabalhadores americanos", disse Bill Russo, porta-voz de Biden.

Zuck x China

Por sua vez, Zuckerberg alertou que, se empresas de tecnologia e plataformas como o Facebook não lutarem para defender a liberdade de expressão, a internet no resto do mundo pode ficar como na China.

Segundo ele, o governo chinês está montando uma versão censurada da internet e disseminando essa versão por meio dos serviços online mais populares do país.

Ele identificou o TikTok, rede social concorrente que pertence à Bytedance, como um desses serviços. De acordo com Zuckerberg, o TikTok censurou conteúdo relacionado aos protestos em Hong Kong.

"Até recentemente, a internet em quase todos os países a não ser a China foi definida por plataformas americanas com fortes valores de livre expressão", disse o presidente do Facebook. "Não há garantia que esses valores vencerão."

Zuckerberg também usou o discurso de quinta-feira —promovido como uma conversa sobre a liberdade de expressão — para argumentar que o enorme tamanho e a escala da rede social proporcionam um novo tipo de poder às pessoas: a capacidade de compartilhar seus pensamentos com as massas.

Ele se referiu a esse poder como "um quinto estado, juntamente com outras estruturas de poder em nossa sociedade". Ele valorizou a importância de dar voz aos indivíduos, afirmando que é daí que vem o maior progresso para a mudança social.

* Com reportagem de Kurt Wagner e Sarah Frier, da Bloomberg

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