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Novo rival da Uber: testamos app em que você negocia taxa com motorista

App inDriver começa a se popularizar com negociação de pagamento da corrida - iStock/Getty
App inDriver começa a se popularizar com negociação de pagamento da corrida Imagem: iStock/Getty

Fabiana Maranhão

Colaboração para Tilt

02/10/2019 04h00Atualizada em 02/10/2019 17h56

Sem tempo, irmão

  • App russo inDriver permite negociar taxa das corridas diretamente com motoristas
  • Aplicativo chegou recentemente a São Paulo e já está em 24 cidades do Brasil
  • Passageiro sugere um preço para a viagem, e motorista pode aceitar ou não
  • Corridas são pagas em dinheiro - recentemente deram a opção de máquina de cartão
  • Novidade é mais um concorrente para apps como Uber, 99 e Cabify

Acesso o aplicativo de transporte. Minha localização atual é logo identificada. Digito o local de destino. Até aí, nada de novo para quem usa esse tipo de app, certo? Mas, em vez de seguir para o botão "solicitar corrida", há um espaço onde está escrito "sugira seu preço", no qual posso colocar o valor que quero pagar pelo trajeto.

Essa opção é oferecida pelo app russo inDriver, que aposta nesse diferencial em relação aos outros aplicativos mais populares no mercado para conquistar passageiros no Brasil.

Usei duas vezes o app no Recife. O funcionamento do aplicativo é parecido com o dos outros apps de transporte mais populares, mas o inDriver, diferente dos demais, não oferece opções de tipos de carros e de tarifas, nem mostra ao passageiro a estimativa de tempo de chegada ao destino.

A primeira que utilizei foi em horário de pico, por volta das 18h30. Antes de utilizar o inDriver, pesquisei os preços que estavam sendo cobrados por outros aplicativos. Na Uber, o menor valor estimado pela corrida era de R$ 20; na 99, R$ 21; e na Cabify, R$ 14. Então, coloquei como preço sugerido R$ 15 no inDriver. Em poucos segundos, um motorista aceitou a minha oferta. Ele levou cerca de dez minutos para chegar.

Jairo Félix da Silva Uchoa trabalha com o inDriver há cerca de quatro meses, praticamente o mesmo tempo que a empresa está operando no Recife. Ele diz que também usa outros aplicativos, mas prefere o app russo por poder saber o destino do passageiro. Jairo é motorista de caminhão de entrega de móveis. Antes de ir ao trabalho, pela manhã, e depois que sai, à noite, roda como motorista de aplicativo.

Nesse aplicativo, consigo saber para onde o passageiro está indo. Eu vejo o destino, onde vou pegar o passageiro, sei embarque e desembarque Jairo Félix da Silva Uchoa, motorista do InDriver

O passageiro é quem diz, ao solicitar a corrida, o valor que quer pagar, mas o motorista tem a opção de oferecer uma contraproposta. Jairo conta que, apesar de ter essa opção, raramente negocia com o passageiro. "As propostas que oferecem dá para imaginar que é aquele valor mesmo, talvez um pouco menos, mas não é tão menos. Mas tem uma coisa: se você oferecer a contraproposta, o cliente não vai aceitar, aí vem outro e aceita".

Para trabalhar com o inDriver, Jairo precisou apresentar CNH (Carteira Nacional de Habilitação) com EAR (Exerce Atividade Remunerada), documentos do carro, além de antecedentes criminais. A empresa só permite o cadastro de motorista que tenha carro fabricado a partir de 2011.

Sem taxa (ainda) tirada do motorista

A segunda experiência que tive com o app foi no período da tarde, em torno das 13h30. Antes, voltei a pesquisar os preços nos outros apps. Na Uber, o menor preço estimado era de R$ 13; no 99, R$ 11; e na Cabify, R$ 16. Solicitei o inDriver e sugeri o valor de R$ 10. Logo em seguida, o app informou que dois motoristas tinham aceitado a oferta e que eu tinha a opção de escolher entre um ou outro. Escolhi o que tinha a melhor classificação.

App inDriver tem tela inicial semelhante a outros aplicativos - UOL
App inDriver tem tela inicial semelhante a outros aplicativos
Imagem: UOL

A estimativa de tempo para a chegada do motorista, informada pelo app, foi de cinco minutos, mas ele demorou quase 20 minutos para chegar. O motorista José Edson explicou que, ao aceitar a corrida, o aplicativo pergunta quanto tempo ele acha que leva para chegar até onde está o passageiro. Ele disse que informou cinco minutos, mas acabou fazendo um caminho diferente do sugerido pelo GPS e, por isso, atrasou.

José Edson, que é bancário, mas está desempregado, conta que começou a trabalhar como motorista de aplicativo há dois meses e que há um mês usa o inDriver. Para ele, a principal vantagem do app é que não há desconto no valor pago pelo passageiro, como é feito pelos outros aplicativos.

"O inDriver é bom porque não está descontando ainda. A 99 desconta um percentual e a Uber também, mas o inDriver ainda não. O valor que recebo do passageiro é o que fico", aponta.

Por email, o gerente de relações públicas do inDriver na América Latina, Eduardo Abud, informou que, nos seis primeiros meses, a empresa não cobra comissão. "Depois desse período, o app cobrará a menor taxa do mercado, não mais do que 10%".

A 99 desconta um percentual que não é fixo, "considerando duas variáveis: o tempo e a quilometragem da corrida", segundo a assessoria de comunicação. A mesma política é adotada pela Uber, informou a empresa. Antes, a Uber descontava uma taxa fixa de 25%. A Cabify cobra do motorista uma taxa diferente dependendo da cidade, de acordo com a assessoria da empresa.

Pagamento direto ao motorista e segurança

Inicialmente, o inDriver só aceitava pagamento em dinheiro. Recentemente, passou a oferecer a opção "maquininha de cartão". Nos dois casos, o passageiro paga diretamente ao motorista após a corrida. Não existe a opção de cadastrar os dados do cartão no app, como ocorre nos demais aplicativos.

Taxas são negociadas diretamente com motoristas, que podem aceitar ou não - UOL
Taxas são negociadas diretamente com motoristas, que podem aceitar ou não
Imagem: UOL

Ao usar o app, tive a impressão que, pelo pagamento ser feito direto ao motorista, havia menos segurança garantida pelo sistema. Questionado sobre o assunto, o porta-voz da empresa afirmou, por email, que "nossa filosofia de serviço estabelece a segurança de todos os nossos usuários como prioridade, tanto aos passageiros quanto para os motoristas".

Segundo ele, uma das medidas de segurança é oferecer ao passageiro a possibilidade de compartilhar as informações sobre a corrida. "Com o link, parentes ou amigos selecionados receberão as informações do veículo em que o passageiro está viajando, bem como sua localização em tempo real, através do celular".

Ainda de acordo com ele, o inDriver disponibiliza o que a empresa chama de "botão de segurança. Esse dispositivo fica localizado no menu, no canto superior esquerdo, na opção "Segurança e proteção", onde existe um botão para chamar o Samu (192) e outro para ligar para polícia (190).

Caso o passageiro esqueça algum objeto no carro ou tenha algum problema com o motorista, existe um chat, na opção "Fale conosco", também no menu, que, segundo a empresa, funciona 24 horas por dia e todos os dias da semana.

inDriver no Brasil

O aplicativo russo inDriver, criado em 2012, está no Recife desde abril deste ano e no Brasil desde novembro do ano passado. A capital pernambucana é uma das 24 cidades onde a empresa opera atualmente.

Há motoristas que usam o aplicativo em outras oito cidades do Nordeste (João Pessoa, Natal, Teresina, Aracaju, Fortaleza, São Luís, Caruaru e Feira de Santana), nas três capitais do Sul, além de Londrina e Pelotas, duas cidades no Centro-Oeste (Goiânia e Cuiabá), duas no Norte (Belém e Macapá) e cinco cidades no Sudeste (São José do Rio Preto, Sorocaba, Santos, São José dos Campos e Juiz de Fora).

No começo deste mês, o app chegou a São Paulo. Segundo a empresa, existem mais de 20 mil motoristas cadastrados na cidade. Em todo o país, essa quantidade não foi informada.

De acordo com Abud, a empresa, que está presente em 200 cidades de 25 países, pretende conquistar espaço no mercado brasileiro apostando em "transparência, liberdade de escolha e justiça aos nossos usuários e motoristas para que sempre tenham economia na hora de utilizar a nossa plataforma, além do fato de permitirmos que os taxistas locais juntem-se a nós".

"O transporte no Brasil, como em muitos outros países, carecia de transparência e equidade. Outros serviços de transporte de passageiros não permitem que os passageiros optem em relação ao custo da viagem. Aos usuários, só é oferecida a opção de aceitar o preço especificado no aplicativo ou cobrado pelo táxi", critica Eduardo Abud.

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