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Vênus teve água e pode ter sido habitável há bilhões de anos, diz Nasa

JPL/Nasa
Imagem: JPL/Nasa

De Tilt, em São Paulo

23/09/2019 14h00

Vênus pode ter tido água, temperaturas amenas e, com isso, a possibilidade de ter sido um planeta habitável há alguns bilhões de anos, antes de uma dramática transformação em sua superfície ter mudado 80% do planeta, revela novo estudo da Nasa.

Há cerca de 40 anos, a Nasa lançou o Projeto Pioneer Venus, que apontou que o planeta "irmão" da Terra teve um oceano raso. Agora, o Goddard Institute for Space Science (Giss) criou uma série de simulações para saber se Vênus teve um clima estável, capaz de permitir que houvesse água em estado líquido.

Segundo o Telegraph, em todos estes cenários, foi possível perceber que Vênus poderia manter uma temperatura de 20ºC a 50ºC, por cerca de três bilhões de anos. "Nossa hipótese é de que Vênus pode ter mantido um clima estável por bilhões de anos", afirmou Michael Way, do projeto Giss.

"É possível que um evento foi responsável por transformar o planeta de algo parecido com a Terra para o calor infernal que vemos hoje", completou ele.

Way confirma que a proximidade do Sol faz com que Vênus receba o dobro de radiação do sol, mas ainda assim as simulações apontavam que havia temperatura suficiente para que o planeta mantivesse água líquida.

Mudança

Um dos panoramas que os cientistas imaginam para a mudança drástica em Vênus seria uma erupção de massiva de magma, que teria soltado monóxido de carbono na atmosfera. O magma teria solidificado e criado uma barreira para a reabsorção do gás pelo solo.

"Algo aconteceu com Vênus que houve uma grande liberação de gás na atmosfera e ela não pôde ser reabsorvida. Na Terra, temos histórico de algo assim acontecer, como na criação das províncias magmáticas siberianas, 500 milhões de anos atrás, quando houve uma grande extinção em massa, mas nada nessa escala. Foi uma completa transformação para Vênus".

O projeto quer realizar mais missões para Vênus, para responder se a mudança do planeta teria acontecido de uma vez, ou em diversos eventos, e para saber como o planeta chegou a temperaturas que possibilitariam água líquida e como ela condensou.

O estudo foi apresentado na última sexta-feira, em um encontro que envolveu o European Planetary Science Congress (EPSC), O Europlanet Society and the Division for Planetary Sciences (DPS) e o American Astronomical Society (AAS).

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