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Nova arma? Erro no radar? Astrônomos lançam teorias sobre óvni dos EUA

Daniel Leite

Colaboração para Tilt

23/09/2019 12h41

Uma nave militar, um drone ou até mesmo problemas no próprio radar da aeronave. Mas nada de outro planeta. Essas são as principais conclusões de dois especialistas ouvidos pelo Tilt sobre três vídeos do governo dos EUA mostrando pilotos da Marinha perseguindo objetos voadores não identificados, e que foram notícia na semana passada.

As imagens foram divulgadas em dezembro de 2017 e março de 2018 pelo jornal norte-americano The New York Times, e na última quarta-feira (18) um porta-voz de operações navais confirmou para a imprensa a veracidade dos vídeos com os "fenômenos aéreos não identificados", afirmando não haver qualquer edição nas gravações.

Nos vídeos é possível ver os enigmáticos objetos em velocidade hipersônica, muito distantes da Terra, sem asas, motores ou sinais visíveis de propulsão.

Objetos ainda não foram identificados com sucesso como qualquer tipo conhecido de aeronave - Reprodução
Objetos ainda não foram identificados com sucesso como qualquer tipo conhecido de aeronave
Imagem: Reprodução

O Doutor em Astrofísica e professor da Universidade Federal do Cariri, Tharcisyo Sá e Sousa Duarte, diz que o objeto parece mesmo ser verdadeiro, até porque a Marinha confirma, mas é de fabricação humana. Para afirmar com mais certeza o que seria, a imagem deveria estar em melhor resolução, mesmo não tendo sido editada, diz o especialista.

Para Duarte, pode haver um viés político na divulgação para proteção de tecnologia ou de alguma arma, ou ainda, algum objeto deles em fase de testes. "Acredito que não seja nada alarmante, apenas algum teste sendo realizado por alguma agência e que não deseja que sua tecnologia seja revelada", argumenta.

Instado a arriscar um palpite do que seria, ele fala em uma nave militar ou um drone.

Sobre a possível ultravelocidade dos objetos perseguidos pelos norte-americanos, o astrofísico detalhou algumas contas. A velocidade hipersônica é de, no mínimo, 6.175 km/h. Com ela, um possível objeto extraterrestre levaria 740 mil anos para cobrir a distância do sistema planetário mais próximo e chegar até a órbita terrestre. "Logo, não faz sentido em falar de um objeto 'extraterrestre'", completa.

"Não é porque não tem explicação que nós vamos dar explicação daquilo que mais ocupa a nossa cabeça", diz o físico da UFMG.

Explicações científicas ou baseadas em crenças são as mais comuns para esse tipo de situação, lembra o físico e coordenador do Grupo de Astronomia da Universidade Federal de Minas Gerais, Renato Las Casas.

Como se trata da imagem de uma tela em que não é possível analisar detalhes, Las Casas explica ser possível até um problema no próprio radar da aeronave atrás dos objetos estranhos.

Muitos astrônomos têm se dedicado, com afinco, a estudar a possibilidade de alienígenas, mas focados, principalmente, na suspeita de vida extraterrestre em outros planetas, e não na Terra, diz o especialista.

"Até hoje tudo que eu acompanhei não teve nada que nos levasse a acreditar que realmente seres de outros planetas estivessem aqui", concluiu o físico.

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