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Agência espacial indiana perde contato com sonda durante pouso na Lua

22.jul.2019 - Foguete da missão Chandrayaan-2 é lançado - Divulgação - 22.jul.2019/ISRO
22.jul.2019 - Foguete da missão Chandrayaan-2 é lançado Imagem: Divulgação - 22.jul.2019/ISRO

De Tilt, em São Paulo

06/09/2019 17h51

Os cientistas da ISRO, a agência espacial do governo indiano, perderam o contato com o módulo de pouso Vikram durante pouso na Lua. Ainda não há informações sobre o que aconteceu com o módulo.

"A descida do módulo Vikram estava normal até uma altitude de 2.1 km. Então nós perdemos comunicação. Os dados estão sendo analisados", disse o chefe da ISRO, Kailasavadivoo Sivan.

A Índia queria ser a quarta nação a conseguir pousar uma sonda na Lua, depois de União Soviética, Estados Unidos e China. Em abril, uma nave de Israel caiu ao tentar pousar no satélite.

O governo indiano deixou uma imagem fria de uma arte do módulo chegando à Lua na transmissão ao vivo no YouTube assim que soube da notícia. Antes disso, era visível o clima de preocupação e tensão dos cientistas. A transmissão foi interrompida em seguida.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, deixou a central após o contato ser perdido. Antes de ir embora, ele disse aos cientistas "para serem corajosos". "Há altos e baixos na vida [...] o país está orgulhoso de vocês".

O pouso do Vikram estava agendado para acontecer às 17h25h. Depois, o jipe Pragyan deveria explorar a superfície lunar entre 20h30 e 21h30 e começar sua jornada para coletar amostras.

Vikram faz parte do projeto Chandrayaan-2, ou "carro lunar", em hindi, que ainda pode ser a primeira sonda indiana a chegar ao satélite natural da Terra, em uma área não explorada, o polo sul. As alunissagens anteriores, especialmente as do programa americano Apollo, aconteceram no nível do equador, na face visível da Lua.

No início do ano, uma sonda chinesa aterrissou pela primeira vez na parte oculta. Foram investidos US$ 140 milhões de dólares no Chandrayaan-2, um valor bem inferior aos das demais agências espaciais para uma missão deste tipo.

Arte do módulo Vikram, que faz parte do projeto indiano Chandrayaan-2 para explorar novas regiões da Lua - Reprodução/YouTube
Arte do módulo Vikram, que faz parte do projeto indiano Chandrayaan-2 para explorar novas regiões da Lua
Imagem: Reprodução/YouTube

Viagem de 46 dias

Lançado em 22 de julho de uma plataforma na Índia, o módulo de descida Vikram da missão Chandrayaan-2 ficou um mês e meio em rotações ao redor da Terra e, então, da Lua.

A intenção dos cientistas é que, assim que o módulo estivesse imobilizado em solo lunar, um pequeno robô móvel iria explorar nosso satélite. O robô, que funcionará por energia solar durante pelo menos 14 dias, visava coletar amostras da Lua.

Os polos lunares têm temperaturas constantes e água, em forma de gelo, à sombra de enormes crateras. São fatores cruciais para poder instalar futuros centros, imaginados como terrenos de experimentação científica e bases com destino ao planeta Marte.

Até 2022, a ISRO planeja enviar três astronautas ao espaço, o que será seu primeiro voo tripulado. Seus cientistas também trabalham na elaboração de sua própria estação espacial, um projeto que pode se concretizar na próxima década. (Com AFP)

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