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Teles obrigarão novos clientes de pré-pago a enviar selfie e dados via app

Arte/UOL
Imagem: Arte/UOL

Helton Simões Gomes

De Tilt, em São Paulo

05/09/2019 04h00Atualizada em 05/09/2019 15h27

Sem tempo, irmão

  • Novos clientes de celular pré-pago terão de baixar app para ativar linhas
  • Eles terão de usar o app para mandar RG, CPF e selfie para as teles
  • Ideia das empresas é evitar fraudes cadastrais
  • Exigência pode chegar ao serviço pós-pago também

As operadoras de telecomunicações iniciaram nesta semana a fase nacional do recadastramento de clientes do celular pré-pago que tenham problemas de cadastro. Só que esse processo não acabará aí.

As teles planejam exigir que consumidores que precisarem ativar novas linhas pré-pagas baixem um aplicativo para enviar informações cadastrais a elas. A previsão é que essa abordagem entre em prática a partir do segundo semestre de 2020.

Os dados pedidos atualmente, como RG, CPF e comprovante de residência, continuem a ser exigidos. O que muda é que os documentos deverão ser digitalizados e enviados pelo app. Outra novidade é que os clientes deverão mandar uma foto de rosto. Essa selfie deverá ser captada por meio do próprio app.

"O usuário vai ter de baixar um aplicativo futuramente quando quiser habilitar o chip dele", afirmou Sérgio Kern, diretor de assuntos regulatórios do Telebrasil (associação das teles).

O programa para celulares será um só para todas as operadoras. Isso quer dizer que, sejam consumidores de Claro, TIM, Oi ou da Vivo, todos terão de instalar o mesmo app. As bases de dados, no entanto, não serão compartilhadas entre as empresas.

Já no começo do ano que vem haverá um teste do novo sistema.

Apesar de o app já estar sendo desenhado, alguns detalhes só serão fechados no fim de novembro.

As empresas estudam, por exemplo, se exigirão o download do app também para novos clientes pós-pago. O serviço será desenvolvido provavelmente, diz Kern, pela ABR Telecom, a mesma empresa que já faz, entre outros serviços, a portabilidade de números de celular de uma empresa para a outra e o registro de terminais que devem ser bloqueados.

O aplicativo é a cereja no bolo da estratégia das teles para combater as fraudes cadastrais de linhas pré-pagas. Essa iniciativa começou com o recadastramento, que vai até 16 de novembro.

Kern diz que as operadoras têm problemas cadastrais desde que os celulares pré-pagos chegaram ao país, com um modelo que copiava o que existia na Itália.

"Não tinha cadastro, não tinha nada. O cara simplesmente comprava um chip e saía falando e esse foi um dos motivos de o pré-pago ser um sucesso", diz.

Essa permissividade foi usada para quem quer quisesse aplicar um golpe, e uma lei passou a exigir em 2003 que as operadoras não só registrassem os dados cadastrais dos clientes como os mantivessem atualizados. Ainda que a Anatel tivesse regularizado a prática, que passou a ser feita pelas empresas do setor, o estrago já estava feito.

"Os procedimentos de venda do chip eram bem liberalizados e mudar essa cultura era complicado. Desde então, vem tendo inconsistência nesse cadastro", conta Kern.

Antes de convocar os clientes com inconsistência, as bases do pré-pago foram cruzadas com as da Receita Federal. Segundo a Anatel, 1% da base de clientes dessa modalidade de serviço, ou 1,2 milhão de linhas, tinham algum problema.

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