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Nova corrida espacial: por que tanta gente quer chegar a Marte em 2020?

Nasa
Imagem: Nasa

Cristiane Capuchinho

Colaboração para Tilt, em São Paulo

24/08/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Quatro países se preparam para missões a Marte no próximo ano
  • Entre julho e agosto de 2020, haverá uma janela de oportunidade
  • Marte e Terra estarão muito mais próximos, facilitando a viagem
  • O planeta vermelho deve fornecer informações sobre a origem e a evolução da vida

Não falta muito para vermos o lançamento de missões rumo ao planeta vermelho. Se tudo der certo, Estados Unidos, Europa, Rússia, China e Emirados Árabes Unidos partem nessa jornada entre julho e agosto de 2020. A escolha da data não é por acaso: nesta época, Marte e Terra estarão muito mais próximos, uma bela janela de oportunidade que acontece de dois em dois anos.

No ano que vem, a distância do planeta vizinho cai dos 400 milhões de quilômetros de distância registrados quando ele mais se afasta para menos de 100 milhões de quilômetros. Isso quer dizer muito menos tempo para qualquer missão chegar lá --e menos combustível também. A viagem deve durar entre sete e dez meses.

Por que tanta gente quer ir a Marte?

A Nasa resume bem os argumentos na apresentação do programa espacial norte-americano:

O planeta vermelho é o lugar mais acessível do Sistema Solar e deve fornecer novas informações sobre a origem e a evolução da vida, podendo, talvez, ser um destino para a sobrevivência da humanidade (Wall-E, o robôzinho da Disney, manda lembranças).

A geologia e a atmosfera de Marte são tão complexas como as da Terra, e o clima de Marte mudou ao longo de sua história, o que pode dar informações para que possamos nos preparar para o que vem por aí no nosso planeta.

E, claro, porque a exploração espacial é uma questão política e mostra a liderança internacional de certos países na ciência e na economia -lançar bilhões literalmente ao espaço é uma demonstração de força.

Ilustração da Nasa mostra sonda pousando em Marte - NASA via AP
Ilustração da Nasa mostra sonda pousando em Marte
Imagem: NASA via AP

Quem deve chegar lá?

São quatro missões previstas para 2020:

  • EUA - missão Marte 2020

O quê: um robô rover e um drone-helicóptero

Quando: entre 17 de julho de 2020 e 5 de agosto de 2020; previsão de aterrisagem em 18 de fevereiro de 2021

Quanto: US$ 2,46 bilhões

A Nasa envia seu quinto robô rover e, pela primeira vez, um drone-helicóptero para a exploração de território marciano. A missão pretende buscar sinais de que o planeta já foi habitável no passado e investigar os vestígios arqueológicos da vida microbiana em Marte. Para isso, o rover terá uma broca que coleta amostras do núcleo de rochas e de partes profundas do solo.

Já o drone-helicóptero vai sobrevoar o planeta e tirar fotos aéreas para ajudar em estudos e no reconhecimento do planeta.

A missão deve trazer mais informações sobre os desafios do planeta para que finalmente seja possível enviar humanos a Marte -a Nasa tem um ambicioso programa que pretende enviar pessoas para Marte até 2030.

O presidente norte-americano Donald Trump parece ansioso por isso, e tem dito que "em breve" os norte-americanos fincarão a bandeira dos Estados Unidos em Marte.

Para tornar o sonho de Trump realidade o mais rápido possível, a missão vai experimentar um método para produzir oxigênio a partir da atmosfera marciana e novas técnicas de aterrissagem para futuros astronautas.

Curiosidade: quem quiser participar virtualmente dessa aventura pode enviar seu nome para Marte pela página da Nasa. A agência norte-americana cadastrará nomes até o final de setembro. Até o momento, mais de 7 milhões de pessoas já escreveram seus nomes nessa nova jornada espacial.

  • Europa e Rússia - Exomars 2020

O quê: um robô rover europeu e uma plataforma científica russa

Quando: entre 25 de julho de 2020 e 8 de agosto de 2020; pouso previsto para 19 de março de 2021

Quanto: 1,45 bilhões de euros

Rosalind Franklin, o robô-rover que a ESA vai enviar para Marte - Divulgação/ESA
Rosalind Franklin, o robô-rover que a ESA vai enviar para Marte
Imagem: Divulgação/ESA

    A agência espacial europeia (ESA) e a agência russa (Roscosmos) lançarão sua próxima missão ao planeta vermelho em conjunto. A ExoMars 2020 pretende levar um robô rover europeu, batizado de Rosalind Franklin, e uma plataforma científica russa sobre o solo de Marte.

    O rover deve explorar o planeta e seu subsolo, fazendo extrações de amostras a uma profundidade de 2 metros. O objetivo é retirar material fora do alcance da radiação que bombardeia a superfície de Marte e verificar se há provas de que já houve vida no planeta. As análises serão feitas dentro do laboratório embarcado na missão.

    Em colaboração com a Nasa, a ESA pretende também trazer parte das amostras coletadas para a Terra e assim poder fazer análises mais aprofundadas do material em seus laboratórios terrestres.

    Curiosidade: O rover foi batizado em homenagem à fisico-química britânica Rosalind Franklin, pioneira no estudo da biologia molecular, suas pesquisas foram essenciais para a descoberta da estrutura do DNA. Morta em 1958, ela não recebeu o prêmio Nobel por suas contribuições na pesquisa, o prêmio foi dado em 1962 a três homens: James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins. (https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/efe/2019/02/07/esa-batiza-robo-explorador-de-marte-de-rosalind-franklin-a-mae-do-dna.htm)

    • China - HX-1

    O quê: orbitador e robô rover

    Quando: entre julho e agosto de 2020

    Quanto: sem informações

    Após enviar uma sonda ao lado oculto da Lua no início de 2019 e fazer plantas brotarem no satélite terrestre, a agência espacial chinesa (CNSA) entra na corrida por Marte enviando ela também uma missão ao planeta no meio de 2020.

    Para uma primeira missão, o objetivo da agência chinesa é bastante ambicioso. A CNSA pretende entrar na órbita de Marte, dar a volta completa no planeta, aterrissar e explorar Marte com um robô rover por cerca de três meses, informa a agência oficial de notícias Xinhua. O objetivo do rover é recolher informações sobre a atmosfera, topografia, formação geológica e leituras magnéticas do planeta vermelho.

    Como é costumeiro em relação aos projetos do governo chinês, há pouca informação detalhada sobre os avanços da missão ou seus custos. Contudo, se atingirem seu objetivo, o governo do chinês Xi Jinping fará toda a Terra saber de suas novas conquistas.

    Curiosidade: No início dos anos 2000, a China começou a desenvolver uma sonda para ser enviada a Marte, a Yinghuo-1, em uma parceria com a Rússia. A ideia era que a pequena sonda chinesa fosse levada até o planeta por uma sonda russa, a Phobos-Grunt, mas esta sonda parou de funcionar após seu lançamento em 2011. A sonda chinesa nunca cumpriu seu objetivo e caiu no oceano Pacífico em janeiro de 2012. Depois desse fracasso, a China decidiu criar um programa espacial completamente autônomo.

    • Emirados Árabes Unidos - Hope

    O quê: um orbitador

    Quando: entre julho e agosto de 2020

    Quanto: sem informações

    A corrida espacial é uma questão de política internacional e, nesse jogo, a missão de conquista de Marte anunciada pelos Emirados Árabes Unidos faz parte de sua recente e ousada estratégia para ampliar a importância internacional do país.

    Desde seu nascimento, em 2014, a Agência Espacial Emiradense tem como objetivo enviar uma sonda a Marte em 2020. A missão foi anunciada em 2017 pelo xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum como um passo dentro do projeto de estabelecer uma colônia em Marte até 2117.


    O foco é mandar um pequeno orbitador de cerca de 1,5 tonelada para Marte. A sonda deve reunir informações sobre a dinâmica climática do planeta, mapear as diferenças zonas de clima e estudar as trocas de gases da atmosfera marciana com o espaço.

    O país lançou seu primeiro satélite em 2018 e, segundo o jornal francês Le Monde, se conseguir completar a missão Hope, será o primeiro país árabe a enviar uma sonda à órbita de Marte.

    Curiosidade: Por que se lançar em uma missão tão complicada para quem acaba de começar? A resposta está na data de chegada da sonda, 2021, o ano que o rico país do Golfo Pérsico celebra seu 50° aniversário.

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