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Como os detectores conseguem saber se estamos carregando algum metal?

Rodrigo Lara

Colaboração para Tilt, em São Paulo

22/08/2019 04h00

Quem já entrou em um banco ou viajou de avião sabe bem: nestas situações, você precisa passar por um detector de metais. Ok, é uma questão de segurança, mas não deixa de ser irritante quando somos barrados, porque esquecemos as chaves no bolso. Quer entender por que isso acontece?

Costumamos reparar mais no chamado de pórtico, que parece o batente de uma porta. Mas existem os modelos que são capazes de detectar metais à distância, como os portáteis usados em shows ou casas noturnas, e os que acham minas explosivas no solo.

Detector de metais

Todos funcionam por eletromagnetismo e são compostos por dois elementos básicos, o transmissor e o receptor. O transmissor é composto por fios de cobre enrolados ao redor de um material metálico, alimentado por uma fonte de energia externa que cria um campo magnético contínuo ao seu redor. O receptor também é uma bobina enrolada em um núcleo de ferro, só que sem alimentação de energia.

Dependendo da intensidade gerada pelo transmissor, o campo magnético pode ser detectado pelo receptor, o que gera uma tensão nos seus terminais. Quando há a presença de material metálico entre transmissor e receptor, essa tensão elétrica é alterada --é o que chamamos de deformação do fluxo magnético.

Os detectores criados para evitar a passagem de armas têm alta sensibilidade para essa alteração. Então, quando detectam metal, disparam um alarme ou bloqueiam as portas giratórias.

Que tipo de metal eles detectam?

Metais ferrosos, não-ferrosos e inox. Dependendo da quantidade ou do tipo de metal, a alteração nas linhas de fluxo magnético pode ser maior ou menor. Com isso, você consegue calibrar o detector para que responda a um impacto maior ou menor na tensão elétrica.

Detectores de metais fazem mal à saúde?

É a mesma coisa que usar um celular, por exemplo. Quem fica exposto continuamente a ondas eletromagnéticas pode sentir dor de cabeça, mas a OMS (Organização Mundial da Saúde) não categoriza isso como doença. Por outro lado, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer classifica as ondas eletromagnéticas como um dos fatores que propiciam o aparecimento de doenças cancerígenas. Não há, porém, um consenso sobre essa questão.

Eles alertam para próteses?

Sim, desde que elas sejam feitas de metal --e isso vale também para implantes como placas, pinos e parafusos. Mas, dependendo do detector, o tamanho da prótese pode influenciar nisso. A recomendação é que pessoas que tenham próteses ou implantes avisem os funcionários responsáveis pela segurança.

Quem não pode passar por detectores de metais?

Portadores de marcapasso, por tratar-se de um aparelho com microcircuito eletrônico alimentado por baterias. Os sinais eletromagnéticos dos detectores de metais podem causar interferências, inibir sua atuação e até modificar sua programação.

Quem utiliza próteses com tecnologias mais avançadas, como as que substituem partes do corpo e funcionam por meio de sinais elétricos, também devem evitar passar pelos dispositivos, porque contam com dispositivos microeletrônicos e geram sinais eletrônicos. Nestes casos, as ondas eletromagnéticas podem provocar danos ao funcionamento.

Fonte: Wânderson Assis, professor e coordenador do curso de Engenharia Eletrônica do Instituto Mauá de Tecnologia.

Toda quinta, Tilt conta para você que existe tecnologia em (quase) tudo o que nos rodeia. Tem curiosidade sobre como funciona algum objeto? Deixe sua dúvida nos comentários.

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