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Previdência, IRPF: o que fazem estatais de tec que governo quer privatizar

Onyx Lorenzoni anunciou plano de privatização do governo Bolsonaro - Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
Onyx Lorenzoni anunciou plano de privatização do governo Bolsonaro Imagem: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Bruna Souza Cruz e Rodrigo Trindade

De Tilt, em São Paulo

21/08/2019 19h29

Sem tempo, irmão

  • Entre as 17 estatais que governo planeja privatizar, quatro atuam com tecnologia
  • Serpro, Dataprev, Ceitec e Telebras entraram para o pacote
  • Atuação delas é estratégica em telecomunicações e gestão de dados sensíveis

O plano do governo Jair Bolsonaro (PSL) de privatizações de empresas estatais ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (21). Confirmando rumores, o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, anunciou o nome de 17 estatais cuja venda à iniciativa privada está sob estudos.

Estes serão feitos para entender quais formas de parcerias serão realizadas e, depois desta análise, o colegiado de ministros decidirá se as empresas serão privatizadas. Sabe-se, no entanto, que o ministro da Economia, Paulo Guedes, quer manter a estrutura do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), montada durante o governo Temer para coordenar as dezenas de privatizações.

Entre as 17 estão quatro empresas brasileiras de tecnologia que cuidam do desenvolvimento da infraestrutura de telecomunicações do país, dos dados de todos os brasileiros e até criam chips para você passar sem ter que parar pagar o pedágio na estrada.

Conheça a seguir quais são elas e o que fazem:

Serpro

É o Serviço Federal de Processamento de Dados. Ele trabalha para o setor corporativo, mas o foco é na oferta de soluções para o setor público. Em seu leque de atuação está o sistema de coleta e processamento do seu imposto de renda (IRPF).

Simplificando, o Serpro precisa trabalhar para que as declarações sejam recebidas sem travamentos e com a garantia de que os dados estão sendo salvos de maneira correta. Em 2019, por exemplo, mais de 30 milhões declarações foram recebidas pelos sistemas da empresa e da Receita Federal.

Dataprev

Sabe a Previdência? É essa empresa a responsável por trabalhar com os dados dos cidadãos brasileiros e processar o pagamento mensal da aposentadoria, do seguro-desemprego, salário-maternidade. Sua sigla significa "Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social".

Os programas sociais do governo são o seu foco de atuação. Como principais clientes, estão: INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, e Secretaria da Receita Federal do Brasil.

"A Dataprev dispõe de capacidade computacional e logística para hospedar, manter, gerir proteger informações e sistemas, e também para analisar e qualificar dados, antecipar demandas de parceiros, prestar serviços de consultoria, apoiar a elaboração e a realização de projetos", indica a (até então) estatal em seu site.

Ceitec

O Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada trabalha com o desenvolvimento de microchip em geral (dispositivo eletrônico com componentes que armazenam e processam dados). A tecnologia pode ser usada para identificação animal, para passaporte, veículos, fiscalização de produtos e por aí vai.

Em seu site, a empresa apresenta os chips de RFID (Identificação por radiofrequência) como único - e versátil - produto, usado para funções logísticas controle de inventário e produção, nas tags usadas por veículos para passar de cancelas em estacionamentos ou pedágios e para aplicações na agropecuária.

Segundo a empresa, clientes como a HP do Brasil e Epson já trabalharam com seus chips.

Telebras

A Telecomunicações Brasileiras é uma sociedade de economia mista, ou seja, com participações de capital público e privado - o do estado é majoritário. A estatal foi fundada em 1972, desativada em 1998 e reativada em 2010 para cuidar do Plano Nacional de Banda Larga. Em seu site, ela destaca seu papel nos avanços da infraestrutura de rede de fibra ótica pelo país.

De 2011 a 2018, a empresa ampliou a rede de fibra ótica de 1.100 km para 30.000 km. Ela também opera o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas, em órbita desde maio de 2017 e descrito com a função social de universalizar a banda larga no Brasil.

A Telebras assume como missão a redução de desigualdades sociais em conjunto com o aumento da oferta de recursos de telecomunicação seguros e de qualidade, visando o desenvolvimento do Brasil.

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