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5 coisas que você precisa saber sobre os áudios transcritos pelo Facebook

Empresa de Mark Zuckerberg contratou gente para ouvir áudios trocados no Messenger - Justin Sullivan/Getty Images/AFP
Empresa de Mark Zuckerberg contratou gente para ouvir áudios trocados no Messenger Imagem: Justin Sullivan/Getty Images/AFP

Rodrigo Trindade

De Tilt, em São Paulo

14/08/2019 20h03

Você já trocou áudios pelo Messenger, o app de mensagens do Facebook? Bem, a rede social vinha pagando gente para transcrever os áudios de quem usava o serviço. O Facebook não é o primeiro a realizar uma ação que é, naturalmente, encarada como uma invasão de privacidade, mas a notícia chamou a atenção por se tratar de conversas privadas por meio de um aplicativo.

Se você não viu essa história, fique tranquilo que Tilt está por aqui para te colocar por dentro das últimas. Vamos começar pelo mais importante:

1) Por que eles estavam transcrevendo mensagens privadas?

À Bloomberg, o Facebook explicou que os terceiros contratados para transcrever os áudios alheios o faziam por um motivo: checar se a inteligência artificial do Facebook estava interpretando as mensagens corretamente.

O Facebook tem investido em ferramentas de moderação autônomas que identifiquem se textos violam as regras de comunidade da plataforma. São instrumentos no campo de processamento de linguagem natural, que pelo visto também estão sendo aplicados a conteúdos em áudio.

2) Que tipo de pessoa teve suas conversas ouvidas?

Segundo a rede social, a transcrição de áudios não foi feita sem consentimento de seus usuários. O Facebook explicou que os usuários afetados escolheram uma opção no aplicativo Messenger que autorizou a empresa a coletar o material. Ela afirma que as mensagens eram anonimizadas, ou seja, quem as ouvia não saiba de quem era a voz.

Depois de buscar nas configurações do app, não encontramos onde estaria a opção de aceitar que suas conversas sejam ouvidas e transcritas. O Facebook permite que isso seja feito desde 2015.

3) O Facebook continua transcrevendo áudios do Messenger?

Quando a notícia foi ao ar nessa semana, esse procedimento já tinha sido paralisado, segundo o Facebook. A empresa afirmou que a transcrição de áudios do Messenger foi pausada há mais de uma semana.

Uma das empresas contratadas para o serviço confirmou que essa tarefa não estava em andamento, a pedido do Facebook, havia mais de uma semana.

4) Brasil está de olho no caso

O Facebook não falou se usuários brasileiros estiveram entre os afetados pela verificação de terceiros sobre áudios privados, mas terá que prestar contas à Justiça brasileira. Nesta quarta-feira (14), a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor), órgão do Ministério da Justiça e Segurança Pública, notificou a empresa para prestar esclarecimentos sobre o caso.

Ela quer que a rede social explique se essa escuta e transcrição de fato ocorreu e se brasileiros como eu ou você tiveram suas conversas ouvidas.

5) Facebook não é o único vilão

O Facebook pode estar no olho do furacão desde o escândalo de Cambridge Analytica, mas neste caso ele não está sozinho na invasão de privacidade, pelo contrário. A lista de companheiros na bisbilhotagem engloba todas as cinco maiores empresas de tecnologia do mundo.

A primeira a ser desmascarada, em abril, foi a Amazon. A empresa empregou milhares de pessoas que transcreviam áudios captados pela inteligência artificial Alexa a fim de melhorar a compreensão do sistema. Em julho, descobriu-se que Google e Apple fizeram o mesmo para o Google Assistente e a Siri - que ouviu até demais.

Um pouco antes do Facebook, a Microsoft se juntou ao grupo, repassando áudios obtidos pela tradução automática do Skype e pela assistente de voz Cortana. Ou seja, se você pretende boicotar a empresa de Mark Zuckerberg depois dessa, saiba que não tem muito para onde fugir - a concorrência aprontou a mesma coisa.

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