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Se Amazon usou nossos dados para criar suas linhas de beleza, não deu certo

Dados e algoritmos de usuários teriam sido usados em criações da Amazon - Getty Images
Dados e algoritmos de usuários teriam sido usados em criações da Amazon Imagem: Getty Images

Luiza Ferraz

Colaboração para Tilt, em São Paulo

13/08/2019 12h00

Sem tempo, irmão

  • Amazon teria criado linha de skincare a partir de itens que "bombam" nas buscas
  • Produtos com vitamina C e ácido ferúlico, por exemplo, foram desenvolvidos
  • Itens eram sem parabenos, sulfatos, testes em animais e tinham embalagem reciclável
  • Mesmo assim, eles não parecem ser um sucesso de venda

Quando você pesquisa produtos de cuidados especiais para a pele na internet, o que exatamente procura? O nome da marca, a função ou seus ingredientes, provavelmente. Tudo indica que a Amazon decidiu usar esses dados e seus algoritmos para criar a sua própria linha de skincare. Como resultado, desenvolveu produtos contendo os ingredientes mais buscados na plataforma, como vitamina C e ácido ferúlico.

"Os consumidores na Amazon são se tornando mais e mais agnósticos às marcas. Eles preferem buscar pelos ingredientes sozinhos, do que procurar uma marca forte", afirmou Nancy-Lee McLaughlin, especialista em marketing digital, ao portal Vox.


Chamadas Belei e Find, as marcas oferecem exatamente o que os usuários exigem: produtos livres de parabenos, sulfatos, sem testes em animais e contendo uma embalagem reciclável.

Em março deste ano, a Amazon fez uma superfesta de lançamento da Belei, sua linha de skincare --a Find vende maquiagem somente no mercado britânico. Chamou até influenciadores, como a Miss Mundo Olivia Culpo.


Tinha tudo para ser um estouro. Usar esse gigantesco banco de dados colocaria a Amazon anos-luz à frente das outras marcas de beleza, certo? Mas não foi o que aconteceu.

Com preços nem muito salgados, nem muito baratos, os clientes passaram a optar por marcas de maior renome no mercado, como Neutrogena, TruSkin e Aztec Secret, que contavam com valores parecidos e eram mais confiáveis --afinal, como as pessoas saberiam que esse produto pertence à Amazon?

Os reviews dos produtos da Belei e da Find não são dos melhores (nem aparecem em grande volume), colocando-os em menor evidência. Quando se pesquisa 'vitamina C' ou 'sérum' no campo de busca, o cosmético da marca só aparece na segunda aba de pesquisa --e é bem difícil alguém chegar até lá, com a variedade de opções que aparecem antes.

Diferentemente da AmazonBasics, marca de gadgets e utensílios domésticos da multinacional, a Belei não carrega o Amazon no nome, o que torna mais difícil para uma pessoa acreditar que o produto tem credibilidade. Talvez, se o título fosse 'Amazon Skincare', ou algo do tipo, as vendas seriam maiores.

A Vox levanta outra questão. Esta seria uma jogada proposital, já que a senadora Elizabeth Warren está tentando acabar com as tendências 'monopolistas' do país, tornando ilegal para o site vender suas próprias marcas. A política ainda não está em prática, mas as marcas já andam cautelosas.

Talvez o 'branding' da nova coleção não tenha sido feito de uma forma a chamar atenção, talvez a própria Amazon tenha se auto sabotado ao não colocar o seu nome no logotipo, talvez tenha sido tudo isso. O que sabemos: produtos feitos a partir de algoritmos, por enquanto, não viraram.

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