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Resultado de busca do Google para "lésbica" não mostrará mais pornografia

Termo "lésbicas" remeterá a resultados informativos e ligados a saúde ou educação sexual - Getty Images/iStockphoto
Termo "lésbicas" remeterá a resultados informativos e ligados a saúde ou educação sexual Imagem: Getty Images/iStockphoto

Gabriel Joppert

Colaboração para o UOL, em São Paulo

09/08/2019 15h33Atualizada em 12/08/2019 08h09

Resumo da notícia

  • Ativistas perceberam excesso de pornografia nos resultados de busca ligados a "lésbica"
  • Google melhorou algoritmo para que mais conteúdo jornalístico apareça no lugar
  • Conquista foi celebrada nas redes sociais, mas os resultados podem variar para cada pessoa

Depois de uma campanha liderada pela jornalista Marie Turcan, do portal de notícias francês Numerama, e pela conta @SEO_lesbienne no Twitter, ocorreram mudanças recentes nos algoritmos do Google. As reclamações chamavam atenção para o excesso de conteúdo pornográfico que inundava os resultados ligados a buscas com a palavra "lésbica" (em francês, "lesbienne").

A alteração começou a agir no meio de julho. O termo agora deverá remeter a mais resultados informativos e ligados a saúde ou educação sexual, como páginas da Wikipédia, artigos jornalísticos ou blogs especializados. Isto já era o padrão para termos não exclusivamente femininos como "gay" e "homossexual", discrepância machista que também foi salientada pela campanha online.

Em junho deste ano, depois de algumas interpelações por parte da Numerama, a empresa se manifestou. Pandu Nayak, vice-presidente de qualidade de motores de busca do Google, declarou: "Temos consciência de que há problemas como este, em várias línguas e diferentes termos de pesquisa." Pouco depois, veio o anúncio oficial da mudança.

Uma fonte do Google no Brasil confirmou que a mudança teve como incidente motivador o termo "lesbienne", mas a alteração no algoritmo afetará também outros casos similares, ou seja, buscas que poderiam oferecer resultados impróprios excessivos involuntariamente.

A empresa também reiterou que as alterações e aperfeiçoamentos nos algoritmos de busca são constantes: só no ano passado foram cerca de 3200 aprimoramentos, ligados a problemas diversos, que acompanham também a alta quantidade de buscas novas que o site recebe diariamente.

A assessoria do Google no Brasil também declarou, em uma nota por email, que a empresa trabalha para filtrar a aparição indesejada de conteúdo potencialmente ofensivo. "Reconhecemos que os resultados para a consulta 'lesbienne' em francês estão abaixo das nossas expectativas (...) desenvolvemos uma solução algorítmica para que possamos fornecer resultados de alta qualidade não apenas para essa consulta, mas para vários outros tipos."

A conquista foi celebrada nas redes sociais por todo o mundo como um importante passo para os movimentos de visibilidade lésbica e para a luta contra o machismo e a hiper-sexualização das mulheres.

Internautas brasileiros também comemoraram e testaram a mudança. Alguns alertam ainda que os resultados podem variar, dependendo da grafia ou do uso de janela anônima ou não --os resultados de busca do Google, para quem não sabe, não são os mesmos para todas as pessoas e dependem de muitos fatores.

É possível registrar reclamações quanto a algoritmos de sugestão ou busca que pareçam ofensivos, além de denunciar violações de conteúdo nas plataformas da empresa.

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