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Tecnologia para todos: como robôs e sensores devolvem autonomia para idosos

Botões de emergência são alguns dos novos acessórios tecnológicos para garantir a autonomia e a segurança de idosos que moram sozinhos - Getty Images
Botões de emergência são alguns dos novos acessórios tecnológicos para garantir a autonomia e a segurança de idosos que moram sozinhos Imagem: Getty Images

Mirella Luiggi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

29/05/2019 04h00Atualizada em 29/05/2019 14h34

Uma residência tecnológica, com eletrodomésticos inteligentes, luzes automatizadas e até mesmo robôs parece coisa de jovem, certo? Pois saiba que este modelo de casa tem aumentado a segurança e a qualidade de vida de idosos mundo afora.

São equipamentos que aumentam a autonomia de quem já não tem a mesma mobilidade para atender a porta, tem alguma dificuldade para se mover com pouca luz ou ainda corre um risco maior de cair e se machucar enquanto está sozinho em sua casa. Há de botões de emergência que acionam a família ou uma central de atendimento a sensores de fumaça que impedem um incêndio acidental, passando por fechaduras automáticas que podem ser acionadas por uma pessoa acamada.

O quarto da terceira idade projetado pela arquiteta Flávia Ranieri tem luzes balizadoras para ajudar na mobilidade, cortina automatizada e câmeras vigilantes - Rafael Renzo/Divulgação
O quarto da terceira idade projetado pela arquiteta Flávia Ranieri tem luzes balizadoras para ajudar na mobilidade, cortina automatizada e câmeras vigilantes
Imagem: Rafael Renzo/Divulgação

Empresas do Brasil e do mundo já estão desenvolvendo este mercado, com recursos importantes não apenas para seus moradores, mas também para seus familiares. É um mercado promissor, já que, segundo o IBGE, os idosos serão 66,5 milhões dos brasileiros, em 2050 --mais que o dobro dos 30,2 milhões dos registrados nos dados do Censo em 2017.

Botões de emergência e atendimento rápido

Acidentes são algo muito mais comuns nesta faixa etária: de acordo com a Organização Mundial de Saúde, cerca de 28% a 35% dos maiores de 65 anos sofrem quedas anualmente. Um recurso para reduzir os problemas decorrentes de quedas são os botões de emergência: um pronto atendimento remoto ao idoso que o atende ao pressionar de um botão.

Há botões de emergência no formato de colar ou de relógio de pulso, para acompanharem o idoso em todos os lugares - Divulgação
Há botões de emergência no formato de colar ou de relógio de pulso, para acompanharem o idoso em todos os lugares
Imagem: Divulgação

O botão de emergência é vendido como dois produtos diferentes com a mesma finalidade. Um deles chama-se PERS (sigla para Sistema de Emergência Pessoal), que combina botões e sensores para chamar ajuda usando a linha de telefone fixo; e os MPRES (Sistemas de Emergência Pessoais Móveis), que funcionam com um minicelular de um único botão, com GPS, para localizar o idoso. Este aparelho pode avisar por SMS, e-mail ou notificação no celular toda vez que o idoso sair de uma determinada área, cair ou pressionar o botão, além de permitir comunicação viva-voz.

No Brasil, empresas como Telehelp e Tecnosenior já realizam este serviço. "É mais difícil o idoso se conscientizar que precisa desse tipo de sistema. Isso só ocorre depois de um acidente com ele, um vizinho ou conhecido. É frequente ouvirmos um idoso de 90 anos dizer: 'Quando eu ficar velho vou querer usar um desses'", explica Gilson Esteves, CEO da Tecnosenior.

Botão de emergência fixo aciona a central de atendimentos contratada para monitoramento 24 horas - Divulgação
Botão de emergência fixo aciona a central de atendimentos contratada para monitoramento 24 horas
Imagem: Divulgação

No entanto, a procura pelo serviço também pode partir do usuário. A professora aposentada Mariângela Michelloti, 69 anos, mora sozinha, não tem filhos e há doze anos contratou o botão de emergência.

Fico tranquila porque sei que se eu precisar vou ter quem me ajude até no meio da noite. É minha autonomia."

Mariângela Michelloti, 69 anos

A professora por enquanto não precisou acionar o botão, mas recebe semanalmente ligações da Telehelp para checar se está tudo bem.

Para ter o botão de emergência, a mensalidade custa a partir de R$ 149 em empresas que fazem exclusivamente esse serviço.

Na cozinha feita por Flávia Ranieri, os sensores de fumaça emitem um alerta e evitam um incêndio acidental - Rafael Renzo/Divulgação
Na cozinha feita por Flávia Ranieri, os sensores de fumaça emitem um alerta e evitam um incêndio acidental
Imagem: Rafael Renzo/Divulgação

Automação e robô companheiro

Além do monitoramento 24 horas por dia, a automação e as câmeras são ferramentas bastante úteis para a segurança do idoso. Com elas é possível trazer uma série de melhorias para a casa. Na entrada, um parente previamente escolhido pelo idoso pode atender a campainha pelo celular e destrancar a fechadura remotamente, além de ser possível ver à distância, pelas câmeras, quem está na porta.

Fechadura automática permite atender a campainha a partir do celular - Rafael Renzo/Divulgação
Fechadura automática permite atender a campainha a partir do celular
Imagem: Rafael Renzo/Divulgação

Na cozinha, sensores de fumaça e calor impedem que haja um incêndio caso o idoso tenha esquecido de desligar o fogão. Um sensor na gaveta de remédios envia notificações para o idoso ou cuidador quando ela não for aberta nos horários previstos. No quarto, persianas são programadas para levantar no horário em que a pessoa idosa costuma acordar e fecham à noite, ajudando a regular o ciclo do sono.

Parece um pequeno interruptor, mas o painel branco na parede é uma luz balizadora para ajudar na mobilidade - Rafael Renzo/Divulgação
Parece um pequeno interruptor, mas o painel branco na parede é uma luz balizadora para ajudar na mobilidade
Imagem: Rafael Renzo/Divulgação

Outro problema comum aos idosos é a redução da visão. Para isso, luzes balizadoras com sensores são programadas para acender no quarto no momento em que o idoso coloca o pé no chão ao sair da cama, guiando-o até o banheiro ou a cozinha, evitando quedas.

Outra possibilidade é usar a assistente virtual da Amazon, a Alexa. Com ela, é possível comandar as luzes por voz, mas apenas no idioma inglês. A empresa de automação Alarmbr.com cobra investimento de R$ 5 mil nos equipamentos do pacote com fechadura digital, controle de iluminação, botões de pânico e sensores, mas depois disso o custo mensal é de R$ 150.

"Há uma assinatura para garantir o funcionamento da plataforma", diz Marcelo Pires, diretor de TI da AlarmBR.com, representante nacional da Alarm.com.

O robô de telepresença é uma base móvil com um tablet que facilita videochamadas - Divulgação
O robô de telepresença é uma base móvil com um tablet que facilita videochamadas
Imagem: Divulgação

E se achou pouco tudo isso, o idoso pode contar ainda com um robô de telepresença para diminuir o isolamento social. O robô transmite uma videochamada por um tablet preso a uma base móvel. "Quando estava viajando, meu pai havia caído. Deixei o robô no quarto do hospital e consegui fazer várias visitas durante a internação. Quando ele recebeu alta do hospital, o robô foi com ele para casa", disse Luciano Eifler, médico e sócio da IEK, que desenvolve projetos com robôs deste tipo.

Tudo isso tem um custo, claro. Um robô de telepresença da empresa Padbot modelo U1 custa em média US$ 699 em sites de compra estrangeiros (R$ 2.920 na conversão direta, fora impostos de importação).

Na Casa Cor SP de 2018, um ambiente pensado pela arquiteta Flavia Ranieri para a terceira idade foi o vencedor na categoria Estúdio dos Sonhos.

"Uma das vantagens de se envelhecer é o autoconhecimento adquirido. As pessoas passam anos descobrindo quem são e o que gostam, para quando chegarem na velhice lhes serem tirados esta liberdade. Se as decisões do idoso não trouxerem riscos para si ou para terceiros, elas devem ser sempre respeitadas", resume Ranieri, que também é especialista em projetos para a terceira idade.

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