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Ordem dada por Trump pode deixar celulares da Huawei sem acesso ao wi-fi?

Edgar Su/Reuters
Imagem: Edgar Su/Reuters

Luiza Ferraz

Colaboração para o UOL

28/05/2019 10h41

Resumo da notícia

  • Em um novo capítulo de boicotes, a chinesa Huawei foi excluída das associações de Wi-Fi e SD
  • Assim, a gigante dos celulares não poderá mais participar da definição de tecnologia sem fio
  • E não poderá lançar aparelhos que usem cartões SD ou microSD como memória
  • Os boicotes são efeitos da determinação de Trump que proíbe partilha de tecnologias

A guerra comercial entre os Estados Unidos e a fabricante chinesa de equipamentos de telecomunicações Huawei acaba de ganhar um novo episódio.

Após os boicotes feitos pelas empresas Google, Microsoft, Intel e Qualcomm, entre outras, a Wi-Fi Alliance e a SD Association também romperam relações com a marca asiática.

De acordo com um comunicado divulgado pela Alliance, a empresa está apenas cumprindo a ordem imposta pelo presidente Donald Trump, que impede qualquer companhia norte-americana de fazer negócios com a multinacional chinesa.

A Wi-Fi Alliance é um consórcio de empresas que testam os equipamentos de tecnologia wireless (sem fio) para chegar a um único padrão de conexão. A Huawei, no entanto, foi retirada deste grupo em uma decisão com "eficácia temporária".

Desta maneira, os aparelhos da marca ainda poderão utilizar a internet sem fio. No entanto, não vão contar com o certificado da Alliance neles, a empresa não poderá participar assim dos avanços na tecnologia de conexão wireless. Sem a credencial, a empresa também deve perder credibilidade.

Além disso, os próximos aparelhos da companhia não terão cartões de memória SD e Micro SD. Isso porque a SD Association retirou o nome da empresa da lista de companhias parceiras em seu site.

Os aparelhos já existentes da Huawei vão continuar funcionando com a tecnologia de cartões de memória SD, mas os próximos smartphones não poderão usá-la. Se isso persistir, segundo o portal Engadget, a empresa passará a utilizar o seu próprio formato de "cartão nano".

Entenda melhor a briga

Apesar de não citar a Huawei, Trump proibiu que empresas norte-americanas e agências da administração pública federal comprem seus produtos ou contratem seus serviços.

Em uma ordem diretiva, Trump colocou os EUA em estado de "emergência nacional" para proibir a compra de equipamentos de telecomunicação estrangeiros que coloquem em risco a segurança nacional. Na prática, essa decisão deu à Casa Branca poder para interferir em negócios privados --e a Huawei é uma das suspeitas de colocar em risco a segurança norte-americana.

Outra determinação, dessa vez emitida pelo Departamento Comercial Federal, impediu companhias norte-americanas fizessem negócio com a gigante chinesa --seja venda de serviços ou de produtos.

Os EUA até concederam uma licença à Huawei de 90 dias (até 19 de agosto) para seguir com parte de suas atividades comerciais nos EUA e preparar toda a sua cadeia de parceiros. Mas depois disso não vai ter mais jeito.

Segundo o governo norte-americano, a Huawei cometeu fraude bancária ao violar sanções comerciais aplicadas ao Irã e também roubou segredos de uma companhia nacional, a T-Mobile. Em janeiro deste ano, o Departamento de Justiça do país abriu um processo para que a empresa responda às acusações. Até o momento, nenhuma explicação foi dada sobre o caso.

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