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Nem homem, nem mulher: Por que o Google lançou 53 emojis neutros

Getty Images
Imagem: Getty Images

Janaina Garcia

Colaboração para o UOL

10/05/2019 15h12

Uma boa notícia para quem busca diversidade nos lançamentos tecnológicos: o Google lança esta semana um conjunto de 53 emojis neutros. Ou seja, nem homem, nem mulher.

Projetados para reconhecer o gênero como um espectro, e não mais como uma definição fechada, os as novas carinhas podem ser adotadas pela Apple ainda este ano, uma vez que o Google colabora com seus rivais.

Os 53 novos emojis integram uma versão beta para os celulares da empresa, o Pixel. Mas devem ser liberados para todos os celulares Android Q já no próximo semestre. A iniciativa coloca o Google na dianteira em reconhecer gênero como algo mais fluido, além de homem-mulher.

Os emojis do meio são alguns exemplos do gênero neutro - Reprodução/FastCompany
Os emojis do meio são alguns exemplos do gênero neutro
Imagem: Reprodução/FastCompany

"É como se estivéssemos todos na piscina, e como se a água estivesse fria. Algumas pessoas querem nadar, mas vamos esperar que alguém nade primeiro. Apenas mergulhamos primeiro", comparou Jennifer Daniel, designer do Google, em entrevista ao site "Fast Company".

Se por um lado a empresa se lança no universo não-binário (homem-mulher), por outro, o próprio Google e empresas como Apple, Microsoft e Samsung estabeleceram gêneros aos seus emojis e ajudaram a reforçar estereótipos.

Nos sistemas operacionais, por exemplo, é padrão: operários da construção civil são homens - em acordo ao que estabelece o Unicode Consortium, entidade que define as principais regras de emoji, adotados geralmente por designers da Apple, Google e outras empresas.

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Jennifer destaca que, em 2018, havia um total de 64 emojis que, a partir dos padrões da Unicode, não foram criados para estar relacionado a gênero. Onze deles, na realidade, como bebê, lutador de esgrima e snowboarder. Os demais 53 podem ser do sexo masculino, feminino ou nenhum deles.

Tarefa complexa

A própria realidade das ruas pode sinalizar, não raro, o quão complexo pode ser uma análise baseada no binarismo homem-mulher. A dificuldade parece ter influenciado também os designers, uma vez que uma série de rascunhos precisou ser feita até que se chegasse ao emoji de uma pessoa que não é necessariamente um homem ou uma mulher.

Ao site americano, o Google antecipou algumas dicas de como o novo projeto foi desenhado. Desde um corte de cabelo com uma versão na medida para ser entendida como "aberta" - brinca com comprimento, franjas, cachos, por exemplo --, a uma roupa com uma versão menos "fechada", ou quadrada, em relação ao conceito de gênero.

O vampiro, por exemplo, ganha uma corrente, em vez de uma gravata borboleta ou um colar. A sereia com conchas encobrindo os seios, ou o deus-marítimo de cauda azul, ganham uma versão neutra de cauda laranja e braços cruzados. Para que definir e limitar, afinal?

É fácil definir sexo? A executiva do Google admite que não. Ainda mais quando se toca nas águas turvas dos estereótipos e das diferenças culturais. "Não acredito que haja uma maneira de acertar. Não há maneira singular de acertar", afirmou Jennifer. "O sexo é complicado; é uma tarefa impossível comunicar o gênero em uma única imagem. É uma construção, vive dinamicamente em um espectro. Pessoalmente, não acredito que haja uma solução de design visual, mas creio que evitá-la é a abordagem errada", definiu.

Emoji para não acabar mais

O número de emojis explodiu para mais de 3 mil, desde o grupo original com 176 figuras lançado em 1999. Alguns são personagens e símbolos completamente novos, ao passo que outros são variações de etnia e gênero para emojis já existentes.

A abordagem atual é mais inclusiva, mas não deixa de ter seus problemas, mesmo porque é quase impossível agregar todas as características de identidade no teclado sem deixá-lo mais extenso e bagunçado.

Por enquanto, a coletânea de 53 emojis é projeto exclusivo do Google. Ou seja: se você quiser enviá-los a celulares de outras empresas, eles ainda serão atrelados a um gênero específico. A diretora de design aposta, por outro lado, que outras companhias naturalmente poderão adotar abordagem semelhante.

A ideia do Google, a longo prazo, é que todos os emojis sejam mais universais, com a opção de tornar as carinhas inclusivas já no novo padrão no teclado emoji, por exemplo. Isso não excluiria, no entanto, os antigos emojis de gênero.

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