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"Não pude parar, mas apoio": o que dizem os motoristas sobre greve da Uber

Carro decorado com críticas à Uber na Vale do Anhangabaú (SP), durante paralisação - Bruna Souza Cruz/UOL
Carro decorado com críticas à Uber na Vale do Anhangabaú (SP), durante paralisação Imagem: Bruna Souza Cruz/UOL

Bruna Souza Cruz

Do UOL, em São Paulo

08/05/2019 10h31Atualizada em 09/05/2019 11h48

Resumo da notícia

  • No dia da greve, reportagem não teve problemas para andar de Uber em SP
  • No começo da manhã, 40 motoristas e 15 carros estavam no Anhangabaú
  • Há previsão de mais carros aderirem ao longo do dia; Uber não se posicionou
  • Apesar de concordarem com manifestação, alguns motoristas vão trabalhar

Desde a 0h desta quarta-feira (8), parte dos motoristas da Uber no Brasil decidiu aderir ao movimento iniciado nos Estados Unidos e parar os trabalhos por 24 horas. Para verificar a adesão à greve, a reportagem do UOL Tecnologia se deslocou de Uber por alguns pontos da cidade de São Paulo entre 7h30 e 9h.

Em todos os pedidos de viagem realizados, não houve demora. A única percepção foi um pequeno aumento nas tarifas, o que pode ter sido em decorrência do horário, do fato de ter tido chuva em alguns locais da cidade e/ou pela greve.

Entre as reivindicações, os condutores querem receber mais pelas viagens feitas por intermédio da plataforma. A questão da segurança durante o trabalho também é outro forte motivo.

Um dos motoristas, que preferiu não ser identificado, afirmou que ouviu alguns condutores conversarem sobre a greve no posto de gasolina em que abasteceu algumas horas antes. No entanto, resolveu esperar um pouco mais os desdobramentos do protesto para decidir se vai parar também. O fato de o filho estar prestes a nascer também pesou na decisão de continuar trabalhando nesta quarta-feira.

"Quando ele nascer, vou ter que ficar três dias em casa. Isso vai impactar no orçamento. No mês passado, eu também sofri uma lesão e fiquei duas semanas fora. Preciso organizar as contas", afirmou G., que trabalha há um ano como motorista da Uber e só folga no dia de rodízio do seu carro.

Concentração de motoristas da Uber na Vale do Anhangabaú (SP), durante paralisação - Bruna Souza Cruz/UOL
Concentração de motoristas da Uber na Vale do Anhangabaú (SP), durante paralisação
Imagem: Bruna Souza Cruz/UOL

"Mas eu apoio o protesto. Quero me inteirar melhor sobre ele para poder decidir", acrescentou.

Outro condutor, que também não quis se identificar, contou que não sabia muito bem o motivo da greve. Ele trabalha há dois anos com a Uber e disse que até o momento não notou nada de muito diferente por conta da paralisação.

"Eu estou trabalhando normalmente, mas vi uns conhecidos falando que umas pessoas vão se passar por passageiros, chamar o Uber e danificar os carros de quem não aderiu à greve. Vou trabalhar atento hoje", destacou.

Protesto em São Paulo

Orientados por entidades, associações e condutores independentes, o pedido é que os motoristas desliguem o aplicativo durante todo o dia.

Protestos físicos também foram marcados para acontecer ao longo desta quarta.

Vilson dos Santos Nobre (esq.) e Joseilton Calado, motoristas da Uber há três anos e um ano e meio, respectivamente - Bruna Souza Cruz/UOL
Vilson dos Santos Nobre (esq.) e Joseilton Calado, motoristas da Uber há três anos e um ano e meio, respectivamente
Imagem: Bruna Souza Cruz/UOL

Por volta das 9h, a reportagem foi até o Vale do Anhangabaú, em São Paulo, um dos pontos marcados pelo protesto na cidade, e permaneceu por lá até 10h.

Foi possível ver a mobilização de cerca de 40 pessoas e 15 carros. Alguns dos presentes disseram que outros motoristas estavam chegando para a manifestação. A expectativa é alta.

Vilson dos Santos Nobre trabalha há três anos como motorista do aplicativo. Para ele, a Uber tem que muito a melhorar em relação à segurança dos condutores. Há um ano e meio ele foi assaltado durante o trabalho e afirmou que a empresa não deu nenhum suporte.

Sobre os riscos aos motoristas que não quiseram aderir à greve, o condutor e manifestante Joseilton Calado ressalta que as agressões físicas e danos aos carros são inaceitáveis.

"Estamos hoje para uma manifestação pacífica. Alguns grupos [de WhatsApp] estão comentado sobre isso, mas aqui a orientação não é essa. Vamos ficar aqui, protestar, depois voltar para as nossas casas e manter o aplicativo desligado até à meia-noite de hoje", afirmou.

Os condutores deverão seguir até a Bolsa de Valores da capital. Um dos organizadores é Paulo Reis, presidente da cooperativa de motoristas CoopDrivers. Além de São Paulo, estão previstos atos em Sorocaba (SP), Campinas (SP), Guarulhos (SP), Limeira (SP), Rio de Janeiro, Recife e Brasília, além dos estados do Acre e da Bahia.

"Quatro caravanas do interior virão para o Vale do Anhangabaú. A reivindicação é o reajuste do valor pago aos motoristas. Os passageiros já pagam mais caro desde o ano passado, mas a Uber paga menos aos motoristas. Queremos reajuste do pagamento aos motoristas", disse Paulo em entrevista realizada nesta terça (7).

No ano passado, a Uber mudou seu sistema de pagamentos a motoristas no Brasil a um molde que se assemelha ao do taxímetro --em função da distância e tempo da corrida. Anteriormente, os motoristas que usavam o app eram remunerados com um valor pré-estabelecido.

Um motorista disse à reportagem que a porcentagem do ganho da Uber por corrida varia de 20% a 60%. Em São Paulo, é cobrado pela empresa R$ 1,05 por quilômetro rodado e R$ 0,19 por minuto. Essas taxas poderiam variar em cada cidade que conta com o serviço.

O UOL Tecnologia procurou a assessoria de imprensa da Uber no Brasil na última terça (7), mas ainda não recebeu um posicionamento sobre o movimento. Fora do Brasil, a companhia diz que irá trabalhar para melhorar a experiência de motoristas no serviço.

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