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Sofreu para assistir "Game of Thrones"? Veja por que o HBO Go não funcionou

Maisie Williams como Arya em episódio de "Game of Thrones" - Divulgação
Maisie Williams como Arya em episódio de "Game of Thrones" Imagem: Divulgação

Rodrigo Lara

Especial para o UOL

02/05/2019 08h54

Resumo da notícia

  • HBO Go tem instabilidade momentos antes dos episódios de 'Game of Thrones'
  • No Reclame Aqui, apenas no dia 28 de abril foram registradas 698 reclamações
  • Streamings 'concorrem' na internet com outros serviços, diz especialista
  • Picos de acesso sem servidor adequado podem explicar travamentos

Se você é uma das pessoas que tem tentado assistir aos episódios da temporada derradeira de "Game of Thrones" via HBO Go, é bem provável que tenha passado raiva nas últimas noites de domingo. Desde a estreia da temporada, o serviço de streaming enfrenta momentos de instabilidade nos minutos próximos ao lançamento de novos episódios, o que faz com que os seus assinantes acabem vendo a série com um considerável atraso em relação aos espectadores que acompanham "Game of Thrones" pela TV a cabo.

Nem precisa dizer que esses atrasos são suficientes para que os assinantes do serviço de streaming acabem trombando com spoilers nas redes sociais - e, por tabela, fiquem ainda mais revoltados. Para piorar, os fãs ficam "reféns" do HBO Go, já que ele e os caros pacotes de TV por assinatura são as únicas formas legais para acompanhar os novos episódios.

De acordo com um relatório do site Reclame Aqui, apenas no dia 28 de abril foram registradas 698 reclamações contra a HBO.

"Foi um comportamento atípico que nos chamou a atenção, isso porque normalmente as categorias de telefonia, e-commerce e bancos costumam estar entre as mais reclamadas. Mas confesso que quando assisti na minha casa, tinha certeza que iria chover reclamações", conta Felipe Paniago, diretor de marketing do Reclame Aqui.

Para Paniago, a revolta dos consumidores nestes casos é totalmente justificada. "Esse comportamento do consumidor é comum, principalmente quando aliado à expectativa do fã da série. Eles pagam pelo serviço exclusivo e em um dos capítulos mais importantes, esperado há meses, exigem qualidade de imagem e som prometidas".

Pelo conteúdo do serviço de streaming, a HBO cobra R$ 34,90 por mês.

Alta demanda

Mas, afinal, por que o serviço de streaming da HBO não funciona bem na "hora H"? Bem, isso não se trata de um complô do universo para que você não veja os episódios de "Game of Thrones" em tempo real, mas sim por um motivo que tem a ver diretamente com o interesse pela série: o grande número de pessoas acessando o serviço ao mesmo tempo.

"Para funcionar corretamente, serviços do tipo dependem de dois fatores: a banda da internet e a disponibilidade dos servidores de streaming", explica João Carlos Lopes Fernandes, professor do curso de Engenharia da Computação do Instituto Mauá de Tecnologia.

Fernandes aponta que os streamings "concorrem" na internet com outros serviços, e a falta de "espaço" para o tráfego de informações pode até fazer com que eles saiam do ar.

Outra questão crítica são os servidores. "Por maior que seja sua capacidade, eles possuem um limite de acessos simultâneos. Muitas vezes, quando eles estão sobrecarregados, o serviço é interrompido por determinados espaços de tempo por questões de segurança", explica Fernandes.

O bloqueio ocorre para evitar ataques DDoS, uma tática criada para derrubar servidores por meio de um grande número de acessos simultâneos.

Esse segundo exemplo citado por Fernandes parece ser o caso do HBO Go, uma vez que os problemas só surgem quando há uma alta demanda simultânea pelo serviço.

E pouco adianta ficar online no serviço minutos antes da hora do episódio. Fernandes explica que os servidores, normalmente, até tentam respeitar uma fila de acesso, "mas dependendo da sobrecarga, ela não consegue ser seguida. Quando existe uma sobrecarga, o serviço fica lento para todos os usuários".

Outro problema relatado pelos assinantes da plataforma dizia respeito à qualidade de imagem do serviço de streaming, especialmente no episódio da série que foi ao ar no dia 28. Novamente, o excesso de acessos também tem a ver com esse problema. "Toda vez que existe uma sobrecarga, a qualidade da imagem é reduzida para que a maioria dos clientes consigam acessar", aponta Fernandes.

O professor também salienta que os clientes com conexões de internet mais rápidas conseguem obter uma imagem de melhor qualidade antes, conforme a sobrecarga diminui.

Tem solução?

Para Fernandes, não há uma forma do serviço se "blindar" para situações do tipo. A única solução seria investir em infraestrutura. "Com um número maior de servidores e um gerenciamento mais eficiente da banda de internet, é possível melhorar a qualidade do serviço".

Um dos exemplos mais extremos é a Netflix, que possui data centers espalhados pelo mundo justamente para evitar sobrecargas. Com isso, mesmo em estreias de séries aguardadas, há poucos relatos de problemas.

O UOL Tecnologia entrou em contato com a HBO Brasil para saber, entre outras coisas, qual era a justificativa da empresa para os problemas do HBO Go e, principalmente, se há algum plano para evitar que eles ocorram novamente.

Até o fechamento desta reportagem, porém, não houve retorno para as questões apresentadas. Para Paniago, o ideal é que a empresa já tivesse se manifestado para os seus assinantes. "Tanto a HBO como as operadoras de TV a cabo precisam dar uma resposta rápida ao seu cliente e se prepararem para responder as reclamações que ainda vão receber".

Ou seja, se você é um assinante do serviço e está ansioso pelo próximo episódio de "Game of Thrones" no domingo, a recomendação é ter paciência e torcer para o serviço funcionar. Ou, por mais absurdo que possa parecer, aproveitar para reunir os amigos na casa de alguém que receba o sinal da emissora via TV por assinatura.

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