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Ar-condicionado aumenta conta de luz em até 50%; veja como economizar

É preciso ficar de olho no ar-condicionado para não levar um susto no final do mês - iStock
É preciso ficar de olho no ar-condicionado para não levar um susto no final do mês Imagem: iStock

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL, em São Paulo

21/01/2019 04h00

Se você precisa ficar em ambientes fechados durante o verão, uma das melhores formas de combater o calor é ter um ar-condicionado à disposição. Atualmente, existem aparelhos à venda por preços em torno de R$ 1.000, mas esse investimento pode ser apenas uma pequena parte dos gastos que estão por vir. 

"Nos meses de verão intenso, em uma residência média que faz uso intenso do ar-condicionado, sem qualquer preocupação com medidas de redução de consumo, o impacto pode chegar a até 50% de aumento na conta de energia elétrica", explica Roberto Peixoto, professor de Engenharia Mecânica do Instituto Mauá de Tecnologia. 

A razão para isso é que o ar-condicionado tem um consumo de energia similar ao de um chuveiro elétrico, porém ele tende a ficar ligado por muito mais tempo. 

"Um aparelho de ar condicionado de 12.000 BTU consome tipicamente 25 KWh/mês para ficar ligado apenas uma hora por dia. Se ficar ligado quatro horas por dia, dependendo do ambiente, pode consumir 100 KWh/mês", explica Renato Giacomini, coordenador do departamento de Engenharia Elétrica da FEI.

Para termos uma ideia do que esse número significa, uma residência brasileira consome em média 157,9 KWh/mês, de acordo com o Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2018 produzido pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética, do Governo Federal). 

Ou seja: um ar-condicionado ligado diariamente por quatro horas consumirá cerca de 63% do consumo total da residência considerada padrão pelo governo. 

A boa notícia é que, da mesma maneira que ocorre com outros eletrodomésticos, o consumo do ar-condicionado pode ser reduzido se seguirmos alguns procedimentos referentes ao seu uso. 

Manutenção em dia

De acordo com os especialistas consultados, o primeiro passo para evitar que o seu ar-condicionado seja um vilão do consumo de energia elétrica é garantir que ele esteja em boa forma. 

"O ideal é limpar os filtros periodicamente, verificar se as saídas de ar não estão obstruídas, evitar que a unidade condensadora [o 'motor' do aparelho] sofra incidência direta do sol e verificar a carga do fluido refrigerante e se há vazamentos desse líquido", alerta Peixoto.

Giacomini, por sua vez, aponta que essa seria a manutenção "básica" do aparelho. "O ideal é que um profissional qualificado também faça uma inspeção antes da chegada do verão ou, ainda, semestralmente, dependendo da intensidade de uso do ar-condicionado". 

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Uso econômico

Além de garantir que a manutenção do aparelho esteja em dia, algumas práticas podem diminuir um pouco o consumo de energia elétrica do aparelho. O primeiro passo é evitar que haja muita troca de calor entre o ambiente refrigerado pelo ar-condicionado e a sua parte externa. Ou seja: deixe o local com portas e janelas fechadas. 

Desligar o ar-condicionado assim que a temperatura desejada é atingida também não é uma boa ideia. "Há dois esforços principais realizados pelo ar-condicionado: diminuir a temperatura de um ambiente e manter ela baixa. Caso o período sem a necessidade de uso do aparelho for longo, de um dia para outro, por exemplo, vale a pena desligar. Se esse período for curto, de uma hora, por exemplo, melhor deixar ligado", diz Giacomini.

Outra solução é não programar o aparelho para gerar temperaturas muito baixas. "Essa é uma medida que tem grande impacto, reduzindo o consumo de energia significativamente", aponta Peixoto. 

O professor explica que isso ocorre porque os aparelhos de ar-condicionado modernos têm sistemas de controle automático de temperatura, que liga e desliga o compressor de acordo com a necessidade do ambiente. Uma vez que a temperatura escolhida for mais alta, o ar-condicionado se esforçará menos para mantê-la e seu compressor passará mais tempo desligado. 

Escolha o equipamento correto

A escolha do aparelho também é relevante. De acordo com Peixoto, uma tecnologia que faz o ar-condicionado consumir menos é o chamado "inverter". "Ele que ajusta a velocidade do compressor à demanda de resfriamento do ambiente. Equipamentos com esta tecnologia são mais caros, mas a redução do consumo de energia pode chegar a 40%"

Por fim, há quem coloque um pano ou uma toalha na frente do aparelho para evitar que a corrente de ar frio atinja diretamente o corpo. Além de forçar o funcionamento do aparelho e atrapalhar a climatização do ambiente, o ar-condicionado pode ser danificado.

"Se o bloqueio de ar for significativo e o pano estiver úmido, pode ainda haver congelamento de parte da seção de saída e até a eventual perda do aparelho", explica o professor Joseph Youssif Saab Jr., coordenador do curso de Engenharia Mecânica do Instituto Mauá de Tecnologia.

De qualquer forma, há alguns fatores que afetam o consumo de energia e que não dependem do usuário. O principal deles é o ambiente no qual o ar-condicionado irá funcionar. "Quanto maior a temperatura e a umidade do ambiente, maior o consumo de energia do ar-condicionado", conclui Peixoto. 

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