PUBLICIDADE
Topo

Anticorpo de alpaca combate variantes brasileira, britânica e sul-africana

15/04/2021 01h19

Santiago, 14 abr (EFE).- Um grupo de pesquisadores chilenos que, em 2020, encontrou em alpacas um anticorpo contra a covid-19 descobriu agora que ele também é capaz de combater as variantes brasileira, britânica e sul-africana do novo coronavírus, informou nesta quarta-feira a Universidade Austral do Chile (UACh).

Em abril de 2020, os pesquisadores da UACh que conduzem esse estudo em parceria com cientistas australianos e europeus, conseguiram identificar e produzir, a partir do sistema imune do animal, células de defesa contra o vírus isolando um "anticorpo poderoso" capaz de neutralizar a infecção.

O anticorpo W25 da alpaca Buddha "é um dos melhores neutralizadores que existe e é estável diante de nebulização e de condições extremas de temperatura, o que o torna uma excelente opção terapêutica", explicou a instituição em comunicado.

Os novos resultados obtidos em conjunto com a Universidade de Queensland, na Austrália, mostraram que o anticorpo, além de ser capaz de combater as variantes sul-africana e britânica, é capaz de se ligar fortemente à proteína Spike da brasileira, o que indica um potencial efeito neutralizador sobre a cepa, que será avaliado nas próximas semanas.

FALTA DE INVESTIMENTOS.

A equipe liderada por Alejandro Rojas, chefe do Laboratório de Biotecnologia Médica da UACh, lamentou que, apesar de sua importância, a pesquisa não está recebendo o apoio financeiro necessário para testar as descobertas na prática.

O estudo recebeu um investimento de 200 milhões de pesos chilenos (cerca de US$ 282 mil) do governo regional de Valdivia, no sul do Chile, mas ainda são necessários de US$ 2 milhões a US$ 3 milhões para desenvolver as milhares de doses necessárias de um medicamento e iniciar os estudos clínicos no Chile, segundo a UACh.

O objetivo é levar este anticorpo sintético aos pacientes de uma forma segura e eficaz, que será avaliada nos próximos meses com o apoio da equipe de Daniel Watterson, da Universidade de Queensland, e de Kellie Ann Jurado, da Universidade da Pensilvânia (Estados Unidos).

Os cientistas pediram que o presidente chileno, Sebastián Piñera, apoie a iniciativa e busque apoio de órgãos públicos e do setor privado para angariar fundos.

"Se tivessem nos apoiado um ano atrás, já poderíamos estar em fase de testes clínicos e colaborando com as ações sanitárias. Os anticorpos desenvolvidos em camelídeos são, a nível mundial, uma possível alternativa terapêutica", afirmou Rojas no comunicado.

"Os cientistas da Universidade de Gent, na Bélgica, desenvolveram um anticorpo neutralizante muito semelhante ao chileno. No entanto, conseguiram um investimento de mais de US$ 50 milhões para o desenvolvimento, entre contribuições públicas e privadas", acrescentou Rojas.