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Rei da Bélgica reconhece pela primeira vez violência exercida na RD Congo

30/06/2020 19h41

Bruxelas, 30 jun (EFE).- O rei Filipe da Bélgica reconheceu, nesta terça-feira, pela primeira vez a "violência e crueldade" exercida no Congo sob o reinado de seu predecessor Leopoldo II (1865-1909), em uma carta enviada ao primeiro-ministro da República Democrática do Congo, Felix Tshisekedi, em ocasião do 60º aniversário da independência da antiga colônia belga.

A carta, na qual o rei expressa seu "profundo pesar" por esses acontecimentos mas não se desculpa por eles, constitui o primeiro reconhecimento oficial da monarquia belga da violência que o reinado de Leopoldo II representou para o Congo, que voltou ao debate público com as recentes manifestações do movimento "Black Lives Matter" ("Vidas Negras Importam").

Na época do Estado Livre do Congo "foram cometidos atos de violência e crueldade que ainda pesam em nossa memória coletiva. O período colonial que se seguiu também causou sofrimento e humilhação", escreveu o Rei dos Belgas.

"Quero expressar meu profundo pesar por essas feridas do passado, cuja dor é reacendida hoje pelas discriminações ainda muito presentes em nossas sociedades", continua o rei Filipe na carta, que foi descrita como "histórica" pela mídia local.

Durante a Conferência de Berlim em 1885, o Congo foi declarado propriedade privada do rei Leopoldo II, que o governou sob o nome de Estado Livre do Congo até 1908, quando se tornou uma colônia da Bélgica até sua independência, em 1960.

Sob o mandato de Leopoldo II, houve uma exploração maciça dos recursos naturais do Congo, para os quais a população indígena era usada em condições de escravidão.

Foi aplicado um regime de terror no qual punições hediondas, em particular a mutilação manual, eram comuns e ocorriam assassinatos em massa. Embora não exista um número exato, estima-se que entre cinco e dez milhões de pessoas tenham morrido.

O Parlamento belga, a partir do mês de setembro, criará uma comissão para examinar o passado colonial da Bélgica, algo que nunca havia acontecido antes.