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Trump prorroga em 90 dias prazo para Huawei fazer negócios nos EUA

Funcionário sai de loja da Huawei em Bancoc, na Tailândia - Soe Zeya Tun/Reuters
Funcionário sai de loja da Huawei em Bancoc, na Tailândia Imagem: Soe Zeya Tun/Reuters

18/11/2019 14h59

O governo dos Estados Unidos anunciou hoje uma nova extensão do prazo para a chinesa Huawei fazer negócios com empresas do país.

A nova prorrogação, de 90 dias, com término em fevereiro de 2020, tem a mesma duração que a anunciada em agosto e é a terceira realizada pelos EUA desde maio, quando a proibição foi decidida.

Embora a participação de mercado dos telefones celulares Huawei nos EUA seja muito pequena (menos de 1%, de acordo com os dados mais recentes do serviço de análise de tráfego Statcounter), a empresa chinesa tem uma forte presença como fornecedora de equipamentos de telecomunicações nas áreas rurais do país.

Os produtos da Huawei, substancialmente mais baratos do que os da concorrência, permitiram a implantação de redes sem fios em grandes áreas escassamente povoadas nos EUA, o que, se não fosse a empresa chinesa, teria sido praticamente inviável do ponto de vista financeiro.

"A extensão temporária da licença geral permitirá às operadoras de telefonia continuarem servindo aos clientes em algumas das áreas mais remotas dos EUA, que, caso contrário, teriam ficado desconectadas", disse o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross.

"O Departamento (de Comércio) continuará a monitorar rigorosamente as exportações de tecnologia considerada estratégica para garantir que aqueles que querem ameaçar nossa segurança nacional não tirem proveito de nossas inovações", acrescentou.

Junto com a presença em áreas rurais, outro aspecto fundamental para entender o impacto da Huawei na economia dos EUA são os fornecedores de componentes de tecnologia e software, como fabricantes de chips Intel, Xilinx e Broadcom, além do Google, proprietário do sistema operacional Android, presente em aparelhos Huawei.

De todos os provedores Huawei dos EUA, o Google tem o maior perfil, já que os telefones que o fabricante chinês vende em todo o mundo (e que são especialmente populares em mercados como América Latina e Europa) têm Android pré-instalado e serviços como Chrome, Gmail, Google Maps, YouTube e a loja de aplicativos Google Play.

O veto à Huawei se enquadra no contexto de guerra comercial entre EUA e China, aberta desde praticamente o momento em que Donald Trump assumiu a presidência americana, em 2017, e que até agora resultou em tarifas sobre centenas de milhões de importações chinesas para os EUA e represálias semelhantes em Pequim.