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Após críticas, Apple suspende escutas de gravações da Siri

Apple tem funcionários que ouvem menos de 1% dos comandos da Siri para melhorar o desempenho da assistente digital  - Getty Images
Apple tem funcionários que ouvem menos de 1% dos comandos da Siri para melhorar o desempenho da assistente digital Imagem: Getty Images

Mark Gurman

02/08/2019 09h01

A Apple informou na quinta-feira que está suspendendo seu programa interno global para "avaliar" parte das consultas dos usuários à assistente virtual Siri depois que alguns consumidores questionaram a privacidade do programa.

A gigante da tecnologia com sede em Cupertino, na Califórnia, emprega pessoas que ouvem menos de 1% dos comandos da Siri para melhorar o desempenho da assistente digital por comando de voz. A preocupação em relação às práticas de empresas de tecnologia que ouvem e analisam o que é falado aos assistentes de voz surgiu depois que a Bloomberg News informou em primeira mão no início do ano que a Amazon.com e a Apple tinham equipes que analisavam gravações. Na semana passada, o jornal The Guardian publicou um artigo revelando que terceirizados da Apple disseram que frequentemente ouvem relações sexuais, tráfico de drogas e informações médicas confidenciais.

"Estamos comprometidos em fornecer uma ótima experiência Siri, protegendo a privacidade do usuário", disse a Apple em um comunicado. "Enquanto realizamos uma revisão completa, vamos suspender a avaliação da Siri globalmente. Além disso, como parte de uma futura atualização do software, os usuários poderão optar em participar da avaliação."

Esta semana um regulador da Alemanha proibiu temporariamente que funcionários e terceirizados do Google façam transcrições de gravações de voz de assistentes domésticos na União Europeia depois que informantes disseram que algumas gravações continham informações confidenciais. Uma agência de Hamburgo disse em 1º de agosto que o Google concordou com uma suspensão de três meses, enquanto investiga se a prática está em conformidade com o Regulamento Geral de Proteção de Dados da UE.

A Bloomberg informou em abril que a Amazon emprega milhares de pessoas em todo o mundo que ouvem gravações de voz capturadas por sua linha de alto-falantes Echo em residências e escritórios de proprietários, com o objetivo de melhorar o desempenho de sua assistente digital Alexa. As gravações são transcritas, anotadas e depois inseridas no software como parte de uma iniciativa para eliminar lacunas na compreensão da fala humana pela Alexa e ajudá-la a responder melhor aos comandos.

A Siri, da Apple, também tem ajudantes humanos que trabalham para avaliar se interpretação dos pedidos pela assistente digital estão de acordo com o que a pessoa disse. As gravações analisadas não têm informações de identificação pessoal e são armazenadas por seis meses, vinculadas a um identificador aleatório, de acordo com um documento de segurança da Apple. A empresa não informa diretamente no iOS que usa uma parte das gravações para o seu processo de "avaliação", mas menciona a prática no livro branco.

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