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Apesar de tudo, Sheryl Sandberg ainda é um exemplo de liderança entre as mulheres

Sheryl Sandberg é a número 2 do Facebook, atrás apenas de Zuckerberg - Reuters/Eduardo Munoz
Sheryl Sandberg é a número 2 do Facebook, atrás apenas de Zuckerberg Imagem: Reuters/Eduardo Munoz

Rebecca Greenfield

10/02/2019 11h20

Durante a última década, a reunião da elite global em Davos foi um espaço seguro para Sheryl Sandberg. Neste ano, porém, depois de um 2018 contundente, a diretora operacional do Facebook chegou aos Alpes na defensiva, desculpando-se repetidas vezes pelos deslizes éticos e de privacidade do Facebook. Sua ausência nas principais discussões sobre igualdade e gênero da conferência foi notável; ela estava gripada e tinha a voz rouca.

Nos últimos meses, a marca Sheryl Sandberg ficou seriamente abalada, e as notícias sobre os erros do Facebook - e o papel desempenhado por ela nesses erros - são implacáveis.

Dúvidas sobre privacidade, interferência russa nas eleições dos EUA e ataques repugnantes à oposição dominaram o final de 2018, e o novo ano começou com novas denúncias de práticas questionáveis de coleta de dados que levaram a Apple a proibir alguns dos aplicativos internos do Facebook. 

2018, o ano que a casa caiu para o Facebook

Relembre os escândalos

Por tudo isso, especialistas dissecaram a "queda em desgraça" de Sandberg, funcionários a culparam pelos infortúnios da empresa e por um impressionante declínio das ações, e críticos pediram a renúncia dela.

Seu feminismo corporativo deixou de ser admirado, o movimento #MeToo expôs as fraquezas de "fazer acontecer" e a própria falibilidade de Sandberg lançou uma nova e dura luz sobre seu projeto paralelo de empoderamento feminista.

Mas há sinais de que a reputação de Sandberg está melhorando. O fato de que o Facebook não parece estar sofrendo ajuda: os resultados do quarto trimestre foram melhores do que o esperado e a ação está em alta.

Tanto a empresa quanto a organização Lean In afirmam que estão comprometidos com a liderança de Sandberg, e, da Suíça a São Francisco, as mulheres, particularmente aquelas que trabalham com tecnologia, estão apoiando a diretora operacional.

"Eu ainda a admiro", disse Annie Hsieh, gerente de engenharia da Square Root, uma empresa de tecnologia com sede em Austin.

Assim como mais de uma dúzia de mulheres entrevistadas pela Bloomberg, Hsieh disse que acha que Sandberg não agiu de acordo com os mais altos padrões morais e éticos, mas ela também sabe como é difícil chegar ao topo no mundo da tecnologia.

"Ela é apenas um ser humano, não é uma super-heroína. Eu acho que algumas das críticas são válidas, mas muitas delas são injustas."

Sandberg, por sua vez, começou o ano em uma turnê para reabilitar sua imagem. Em 20 de janeiro, ela fez sua primeira aparição pública no novo ano na conferência DLD em Munique.

"Estamos ouvindo pessoas do mundo inteiro", disse ela, "e elas nos dizem que querem uma internet onde as pessoas possam falar, mas sem disseminar o ódio".

"Nós sabemos que precisamos melhorar", continuou ela. "Precisamos deter o abuso mais rapidamente e precisamos nos empenhar mais para proteger melhor os dados das pessoas."

De lá, ela foi para Dublin e depois para Davos, onde reiterou os pedidos de desculpas. Para seus pares no Fórum Econômico Mundial, as desculpas foram mais do que suficientes.

"Entre as organizações com as quais eu tenho a honra de trabalhar, não tem uma sequer que não continue admirando a liderança dela", disse Patricia Milligan, sócia sênior da empresa de consultoria de RH Mercer.

Isso inclui o Facebook. Sandberg supervisiona diretamente as partes da empresa que mais se envolveram nos escândalos, como as políticas e as operações de conteúdo, mas a companhia afirma que acredita na capacidade de Sandberg de lidar com qualquer problema que possa surgir.

"Sob o comando de Sheryl, agora temos mais de 30.000 pessoas trabalhando em segurança, tomamos medidas contra contas falsas e informações enganosas, e estabelecemos um novo padrão de transparência para os anúncios", informou a empresa.

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