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Como dois estudantes usaram iPhones falsos para roubar US$ 900 mil da Apple

Quase 1.500 celulares foram substituídos sem que a empresa detectasse a fraude - Getty Images
Quase 1.500 celulares foram substituídos sem que a empresa detectasse a fraude Imagem: Getty Images

10/04/2019 08h15

Resumo da notícia

  • Eles enviaram iPhones falsos para a Apple e receberam originais em troca
  • Quase 1,5 mil foram trocados sem que a empresa detectasse a fraude
  • Eles enviaram os originais à China para revenda e ficaram com parte dos lucros

Um esquema fraudulento levou a Apple a repôr 1.438 iPhones falsos, com um custo de quase US$ 1 milhão

Uma vulnerabilidade nos procedimentos de retorno de celulares cobertos pela garantia custou quase US$ 1 milhão para a Apple.

Dois estudantes chineses que faziam intercâmbio nos EUA foram acusados de participar de um esquema de fraude contra a gigante da tecnologia através de solicitações em massa de troca de celulares pela garantia.

Segundo a polícia de Oregon, Yangyang Zhou e Quan Jiang, enviaram vários iPhones falsos para a empresa e receberam dispositivos originais em troca - os dois fizeram isso por meses.

De todos os aparelhos que eles enviaram, quase 1,5 mil foram substituídos sem que a empresa detectasse a fraude. A perdas estimadas para a Apple alcançam US$ 895 mil.

A investigação sobre o esquema começou em 2017, mas o caso foi à Justiça em abril deste ano, conforme reportado pela primeira vez pelo jornal americano The Oregonian.

Ambos os jovens estavam nos EUA com vistos de estudante quando a fraude foi realizada.

Como era o esquema?

Um sócio dos jovens em Hong Kong enviava pacotes com 20 ou 30 celulares com as características físicas dos iPhones da Apple, segundo o processo judicial.

A empresa dirigida por Tim Cook inicialmente não percebeu a fraude - Getty Images
A empresa dirigida por Tim Cook inicialmente não percebeu a fraude
Imagem: Getty Images

Os estudantes então solicitavam à Apple, pessoalmente ou através de nomes e endereços nos EUA, e substituição dos telefones sob os termos de garantia da Apple.

Em quase todos os casos o problema reportado era de que os telefones não ligaram.

A empresa então determinava se o celular era elegível para troca, algo que a Apple normalmente faz nesse tipo de caso.

Quando os dois recebiam os telefones originais, os enviaram para a China para serem revendidos e ficavam com uma parte dos lucros, segundo a denúncia.

Como a Apple não percebeu a fraude?

O representante da Apple Adrian Punderson explicou em depoimento prestado ao CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA, na sigla em inglês) que um técnico da empresa é encarregado de avaliar se um telefone enviado para substituição é genuníno. Se determina que o aparelho é falsificado, a solicitação é negada e o remetente é informado.

No caso de Jiang, mais de 1.5 mil pedidos foram "negados por manipulação" do aparelho.

No entanto, o fato da falha reportada ser de que o telefone não liga acabou permitindo que o esquema tivesse sucesso.

O esquema era baseado em dizer que os telefones não ligavam - Getty Images
O esquema era baseado em dizer que os telefones não ligavam
Imagem: Getty Images

"O envio de um iPhone que não liga foi fundamental para perpetuar a fraude na garantia do iPhone, já que o telefone não pode ser examinado ou reparado imediatamente pelos técnicos da Apple, o que leva ao processo de substituição dos telefones da Apple como parte de sua política de garantia de produto", disse Punderson.

A Apple substituiu 1.493 telefones, a um custo de US$ 600 por unidade, o que representa uma perda total de US$895 mil.

A BBC News solicitou uma entrevista à Apple sobre o caso, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

A denúncia na Justiça ameriana acusa Jiang de tráfico de produtos falsificados e fraude eletrônica, enquanto Zhou enfrenta acusação de ter apresentado documentos falsos de exportação.

Ambos, no entanto, dizem não ter conhecimento de que os telefones eram falsos.

Como o esquema foi descoberto?

Agentes federais do serviço de alfândega e proteção de fronteiras dos EUA, o CBP (Customs and Border Protection), confiscaram em abril de 2017 cinco pacotes enviados de Hong Kong. Eles suspeitavam que os pacotes continham celulares falsificados.

Pacotes de iPhones falsos que Zhou teria recebido - USDC/Estado de Oregon
Pacotes de iPhones falsos que Zhou teria recebido
Imagem: USDC/Estado de Oregon

Os importadores eram Yangyang Zhou e Quan Jiang.

O agente Thomas Duffy colheu depoimento de Jiang em 2017 para saber a origem e o destino dos celulares.

Jiang contou sobre sua participação nos pedidos de substituição à Apple, mas negou conhecimento sobre o fato de eles serem falsificados.

"Jiang estima que em 2017 enviou 2 mil telefones à Apple para pedidos de garantia", diz a denúncia do caso à Justiça.

No entanto, seu nome está ligado a cerca de 3 mil pedidos de garantia em que a causa da reclamação era de que o telefone não liga.

Uma inspeção na casa de Jiang no ano passado encontrou 300 iPhones falsos e documentos com os pedidos de garantia enviados à Apple.

Ali também foram encontradas caixas com o nome de Zhou, que estava ligado a três envios feitos a partir da China que incluíam 95 telefones semelhantes ao iPhone. Cerca de 200 pedidos de garantia haviam sido realizados em seu nome.

O caso ainda está em andamento na Justiça americana.

O agente Duffy encontrou caixas com telefones falsos na casa dos jovens - USDC/Estado de Oregon
O agente Duffy encontrou caixas com telefones falsos na casa dos jovens
Imagem: USDC/Estado de Oregon

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