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Golfinhos reconhecem amigos pela urina, diz estudo

Getty Images
Imagem: Getty Images

Em Washington

18/05/2022 20h07

Pense nas pessoas que você conhece e em como você reconheceria quem está por perto mesmo sem ver. Talvez conseguisse fazê-lo pela voz ou pelo cheiro do perfume favorito.

Mas para os golfinhos é o gosto da urina e seus guinchos característicos que lhes permite reconhecer os amigos à distância, segundo um novo estudo publicado nesta quarta-feira (18) no periódico Sciences Advances.

"O uso do paladar é altamente útil em mar aberto, pois as plumas de urina podem permanecer tempos depois de os animais terem saído", escreveu a equipe chefiada por Jason Bruck, da universidade de St. Andrews.

"Reconhecendo quem deixou seu rastro, os golfinhos poderiam sentir a presença recente de um indivíduo mesmo sem perceber sua presença de forma vocal", acrescentou.

A pergunta sobre como estes animais conseguem associar estes marcadores de presença de seus amigos em suas mentes foi difícil de responder.

Antes de tudo, os cientistas se concentraram em experiências em laboratório, sem deixar claro se os mamíferos estavam usando estes marcadores para se comunicar de forma natural.

Os golfinhos-nariz-de-garrafa usam "guinchos característicos" para se dirigirem a indivíduos específicos e são capazes de se lembrar deles até 20 anos depois. Por este motivo foram um estudo de caso interessante para os cientistas.

Os pesquisadores apresentaram a oito golfinhos amostras da urina de indivíduos familiares e desconhecidos. Os cientistas descobriram que os golfinhos usavam o triplo do tempo absorvendo amostras de urina dos indivíduos conhecidos.

A inspeção genital, na qual o golfinho usa sua mandíbula para tocar os genitais de outros indivíduos, é comum em suas interações sociais, fornecendo uma boa oportunidade para provar a urina dos demais.

Para os objetivos deste estudo, os golfinhos foram treinados para fornecer amostras de urina em troca de comida.

Os golfinhos não têm bulbos olfativos como outros mamíferos e o nervo correspondente é subdesenvolvido, razão pela qual os cientistas têm certeza de que é o paladar e não o olfato o sentido que está em jogo.

Em seguida, a equipe comparou as amostras com as gravações dos guinchos reproduzidos por buzinas debaixo d'água que correspondiam ao mesmo golfinho do qual provinha a amostra de urina, ou então uma amostra sem qualquer correspondência.

Os golfinhos ficaram perto da buzina por mais tempo quando as vocalizações coincidiam com as amostras de urina, indicando que duas linhas de evidência juntas provocaram maior interesse.

A equipe de cientistas sugeriu que as principais proteínas e lipídios contidos na urina possivelmente eram responsáveis pela capacidade dos golfinhos de diferenciar sua assinatura química.

"Dadas as capacidades de reconhecimento reveladas no nosso estudo, pensamos ser possível que os golfinhos também consigam extrair outras informações da urina, como sua fase reprodutiva, ou usar feromônios para influenciar o comportamento dos outros", asseguraram.

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