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Pela primeira vez, cientistas cultivam plantas na Terra com solo lunar

Solo lunar coletado em missão espacial germinou brotos após dois dias - Aly Song/Reuters
Solo lunar coletado em missão espacial germinou brotos após dois dias Imagem: Aly Song/Reuters

Redação AFP

Washington, EUA

12/05/2022 22h17

É um pequeno recipiente de terra, mas um grande passo para a agricultura espacial: pela primeira vez, cientistas cultivaram plantas em alguns gramas de terra lunar, coletados décadas atrás pelos astronautas do programa Apollo.

Esse sucesso alimenta a esperança de que, algum dia, plantas possam ser cultivadas diretamente na Lua, o que pouparia os futuros exploradores de numerosas e caras cargas a bordo de seus foguetes para missões mais longas e distantes.

Ainda há muito trabalho pela frente antes de consegui-lo, mostra, no entanto, o trabalho desenvolvido por pesquisadores da Universidade da Flórida, publicado nesta quinta-feira na revista "Communications Biology".

"Esta pesquisa é crucial para os objetivos de exploração humana de longo prazo da Nasa", ressaltou o chefe da agência, Bill Nelson. "Teremos que usar recursos na Lua e em Marte para desenvolver fontes de alimentos para futuros astronautas que vivem no espaço profundo".

Para o experimento, os pesquisadores usaram apenas 12 gramas de solo lunar, coletado durante as missões Apollo 11, 12 e 17. Em pequenos recipientes do tamanho de um dedal, colocaram cerca de um grama de terra, adicionaram água e as sementes. Também foi acrescentada uma solução nutritiva diariamente.

A planta utilizada foi a Arabidopsis thaliana, escolhida porque cresce com facilidade e, sobretudo, porque seu código genético e seu comportamento em ambientes hostis — até mesmo no espaço — já são conhecidos.

As sementes foram plantadas simultaneamente no solo da nossa Terra, e as amostras recriavam os solos lunar e de Marte, para comparação.

Depois de dois dias, as sementes das amostras lunares germinaram, e "todas as plantas, seja no solo lunar ou nas amostras de controle, pareciam iguais até o sexto dia", informou Anna-Lisa Paul, autora principal do estudo. Mais tarde, descobriu-se que as plantas lunares cresciam mais lentamente e tinham raízes atrofiadas.

Após 20 dias, os cientistas coletaram as amostras e estudaram o seu DNA. Eles descobriram que as plantas lunares responderam da mesma forma que em um ambiente hostil, como quando um solo contém muito sal ou metais pesados. No futuro, os cientistas querem entender como esse entorno poderia oferecer uma hospitalidade maior.

A Nasa se prepara para retornar à Lua como parte do programa Artemis, com o objetivo de estabelecer ali uma presença humana duradoura.

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