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Inteligência dos EUA adverte que mudança climática é ameaça à segurança nacional

21/10/2021 20h39

Washington, 21 Out 2021 (AFP) - O serviço de inteligência dos Estados Unidos afirmou nesta quinta-feira (21), pela primeira vez, que as mudanças climáticas estão entre as maiores ameaças para a segurança nacional dos Estados Unidos e a estabilidade em todo o mundo.

Os fenômenos climáticos mais extremos "vão exacerbar cada vez mais uma série de riscos para os interesses de segurança nacional dos Estados Unidos, de impactos físicos que podem se tornar desafios de segurança até a forma em que os países respondem ao desafio climático", disse a Casa Branca em um resumo dos relatórios de inteligência.

Essa previsão foi feita na primeira avaliação oficial do Escritório do Diretor de Inteligência Nacional, que supervisiona o extenso aparato de inteligência americano.

O documento foi elaborado após a análise consensual dos 18 elementos que formam a comunidade de inteligência do país, segundo a Casa Branca.

De acordo com as agências de inteligência, a mudança climática está provocando "um aumento da tensão geopolítica, já que os países discutem sobre quem deve fazer mais".

Esse processo gera "focos de tensão" transfronteiriços, pois os países respondem ao impacto das mudanças climáticas tentando garantir os seus próprios interesses.

Segundo a Casa Branca, as agências de segurança nacional dos Estados Unidos levarão em conta os efeitos das mudanças climáticas em seus planejamentos.

O Pentágono, por exemplo, vai considerar a mudança climática "em todos os níveis, o que será essencial para treinar, lutar e vencer em um ambiente cada vez mais complexo". Além disso, a migração, um tema sensível na fronteira sul dos Estados Unidos, passará a ser vista através do prisma das mudanças climáticas.

Esta é "a primeira vez que o governo dos Estados Unidos reconhece e informa oficialmente sobre este vínculo", afirma o relatório.

O texto foi publicado faltando dez dias para a abertura da COP26 em Glasgow, na Escócia, uma reunião de cúpula que contará com a presença do presidente Joe Biden.

"Dado que mais de 85% das emissões mundiais procedem de fora das fronteiras dos Estados Unidos, nós não podemos resolver este desafio sozinhos. É preciso que que o resto do mundo acelere os seus progressos", declarou à imprensa um alto funcionário americano que pediu para não ser identificado.

Um relatório governamental separado, divulgado mais tarde nesta quinta, caracterizou o risco relacionado ao clima como "uma ameaça emergente à estabilidade financeira dos Estados Unidos", de acordo com o Conselho de Supervisão de Estabilidade Financeira (FSOC).

As recomendações incluem diretrizes para que os reguladores exijam publicações adicionais sobre o clima de empresas e outras entidades reguladas, e medidas para que façam "análises de cenário" com base nos resultados climáticos.

"Este relatório coloca a mudança climática em primeiro plano", disse a secretária do Tesouro, Janet Yellen, em uma reunião do FSOC, conselho criado após a crise financeira de 2008.

Yellen descreveu o documento como um "primeiro passo crítico" e pediu ação imediata, alertando que "quanto mais esperarmos para resolver as causas subjacentes da mudança climática, maior será o risco".

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