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China nega ataque cibernético contra Microsoft e critica aliados dos EUA

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Imagem: Reprodução

Em Pequim

20/07/2021 08h28

A China negou nesta terça-feira (20) as acusações americanas de ter orquestrado um grande ataque contra a gigante de tecnologia Microsoft, ao mesmo tempo que chamou Washington de "campeão mundial" em ataques cibernéticos e criticou os aliados dos Estados Unidos pela união na incomum condenação conjunta a Pequim.

O governo dos Estados Unidos acusou a China na segunda-feira (19) de estar por trás dos ciberataques contra a Microsoft atribuiu os atos a quatro hackers chineses.

O secretário de Estado Antony Blinken afirmou que o ataque de março que comprometeu dezenas de milhares de servidores de e-mail Microsoft Exchange em todo o mundo é parte de um "padrão de comportamento irresponsável, perturbador e desestabilizador no ciberespaço" na China, "que representa uma grande ameaça para nossa segurança econômica e nacional".

O Ministério de Segurança do Estado da China (MSS) "promoveu um ecossistema de hackers criminosos que realizam atividades patrocinadas pelo Estado e crimes cibernéticos para seu próprio ganho financeiro", acrescentou.

O Departamento de Justiça dos EUA relatou ao mesmo tempo que quatro cidadãos chineses, incluindo "três agentes do MSS", foram acusados de invadir computadores de dezenas de empresas, universidades e agências governamentais nos Estados Unidos e no exterior entre 2011 e 2018.

"Os Estados Unidos vão impor consequências aos cibercriminosos maliciosos da China por seu comportamento irresponsável no ciberespaço", disse Blinken, apontando para a acusação.

"Campeão mundial"

O presidente Joe Biden afirmou que os Estados Unidos vão concluir uma investigação antes de tomar qualquer medida e traçou um paralelo com o crime cibernético que os países ocidentais atribuem à Rússia.

"O governo chinês, como o governo russo, não está fazendo isso (os ataques cibernéticos) sozinho, mas protegendo aqueles que estão fazendo isso, e talvez até permitindo que eles façam", disse Biden a repórteres na Casa Branca.

Em uma medida que o governo Biden qualificou de inédita, os Estados Unidos coordenaram sua manifestação com seus aliados: União Europeia (UE), Reino Unido, Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Japão e Otan.

A embaixada da China em Wellington criticou especificamente a Nova Zelândia e chamou o ato de "calúnia mal-intencionada".

De modo paralelo, a representação de Pequim na Austrália acusou Canberra de "repetir a retórica dos Estados Unidos".

"É bem conhecido que os Estados Unidos realizaram escutas telefônicas inescrupulosas, massivas e indiscriminadas em muitos países, incluindo seus aliados", afirmou a embaixada em um comunicado.

"É o campeão mundial dos ciberataques maliciosos".

Declarações coordenadas

Biden, assim como o antecessor republicano Donald Trump, aumentou a pressão sobre a China, por considerar a potência asiática a principal ameaça a longo prazo para os Estados Unidos.

Os aliados apoiaram as acusações contra a China.

"O governo chinês deve encerrar sua sabotagem cibernética sistemática e deve ser responsabilizado se não o fizer", enfatizou o ministro das Relações Exteriores britânico, Dominic Raab.

Mais cautelosa, a Otan emitiu um comunicado dizendo que "tomou nota" das declarações dos EUA, Reino Unido e Canadá sobre a China e expressou "solidariedade".

Uma autoridade dos EUA disse que é a primeira vez que a Otan, a aliança militar fundada em 1949 para enfrentar a União Soviética, condena a atividade cibernética da China.

No mês passado, o bloco alertou sobre os "desafios sistêmicos" apresentados por Pequim.

A UE, por sua vez, exortou as autoridades chinesas a "tomarem medidas contra as atividades cibernéticas maliciosas realizadas no seu território", sem culpar diretamente o governo chinês pelo ataque cibernético contra a Microsoft.

O bloco europeu também denunciou a atividade de hackers, conhecidos como APT40 e APT31 ("Advanced Persistent Threat - Ameaça Avançada e Persistente") que, segundo ele, realizaram ataques da China "com o objetivo de roubar propriedade intelectual e espionagem".

Embora esta seja a condenação mais ampla até agora às atividades digitais chinesas, analistas destacam que sem o anúncio de sanções ou represálias o alcance é limitado.

"Outras ações"

"É bom ver a amplitude da cooperação internacional", disse à AFP Frank Cilluffo, especialista em segurança cibernética da Auburn University.

Mas "devemos garantir que haja consequências para induzir mudanças no comportamento do governo chinês", afirmou.

Um alto funcionário dos EUA, sob condição de anonimato, disse que Washington e seus aliados não excluem "outras ações" para que a China cumpra suas responsabilidades.

O ataque cibernético contra a Microsoft, que explorou falhas no serviço Microsoft Exchange, afetou pelo menos 30.000 organizações dos Estados Unidos, incluindo governos locais, bem como entidades em todo o mundo.

A gigante da tecnologia já havia indiciado um grupo de hackers ligados a Pequim chamado "Hafnium". Conhecidos por roubar segredos comerciais, os hackers chineses também podem ser motivados por "benefício pessoal", disse o alto funcionário do governo de Biden.

Ele falou de tentativas de extorsão e "pedidos de resgate de milhões de dólares" dirigidos a empresas privadas por hackers chineses.

Os ataques de "ransomware", que envolvem criptografar os dados de um alvo e exigir dinheiro em troca da 'descriptografia', também estão aumentando, e várias grandes empresas foram recentemente atacadas nos Estados Unidos.

Especialistas americanos os atribuem a hackers na Rússia.