PUBLICIDADE
Topo

EUA promete liderar luta pelo clima pressionando o mundo contra o carvão

19/04/2021 20h30

Washington, 19 Abr 2021 (AFP) - Os Estados Unidos vão pressionar todas as nações para que reduzam a dependência do carvão, disse o secretário de Estado Antony Blinken nesta segunda-feira (19). Ele alertou que "não sobrará muito do mundo" sem uma liderança mais forte de Washington na questão da mudança climática.

Blinken iniciou assim uma semana de intensa diplomacia climática às vésperas da cúpula virtual convocada pelo presidente Joe Biden, que convidou 40 líderes mundiais, na quinta e na sexta-feira, a fim de aumentar as ambições do mundo sobre o clima.

Ao considerar as mudanças climáticas como um problema de segurança nacional, Blinken advertiu para um grande impacto em todo o planeta e os riscos para os Estados Unidos se não realizarem seus próprios esforços.

"É difícil imaginar os Estados Unidos ganhando uma competição estratégica a longo prazo com a China se não pudermos liderar a revolução da energia renovável", disse Blinken em um discurso em Anápolis, Maryland.

"Neste momento, estamos atrasados", acrescentou.

Embora o secretário de Estado tenha se referido à liderança da China na tecnologia solar e de outros tipos, a potência asiática também é o maior emissor de carbono do mundo e, de longe, o maior consumidor de carvão, a forma de energia mais suja que existe.

"Nossos diplomatas desafiarão as práticas dos países cuja ação ou inação está nos fazendo retroceder", afirmou Blinken.

"Enquanto os países continuarem a depender do carvão para uma quantidade significativa de sua energia, ou investirem em novas fábricas de carvão, ou permitirem um desmatamento de grandes proporções, eles ouvirão os Estados Unidos e nossos parceiros sobre o quão nocivas são essas ações", ressaltou.

- Tema político delicado -O carvão é um tema político particularmente sensível tanto na China quanto nos Estados Unidos.

A China, apesar de sua promessa de se tornar neutra em carbono até 2060, avançou na construção de usinas de carvão. O ex-presidente republicano Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo climático de Paris e se declarou um defensor dos mineiros de carvão, embora a demanda por carvão continuasse diminuindo em seu país.

Blinken disse que "se os Estados Unidos não liderarem o mundo no enfrentamento da crise climática, não sobrará muito do mundo".

"Se tivermos êxito, aproveitaremos a maior oportunidade para criar empregos de qualidade em gerações; construiremos uma sociedade mais equitativa, saudável e sustentável; e protegeremos este planeta magnífico", afirmou em frente à baía de Chesapeake, tendo como som de fundo o gorjear dos pássaros.

Biden propôs um pacote maciço de infraestrutura de dois trilhões de dólares que inclui uma transição importante para a energia verde.

Espera-se que os Estados Unidos anunciem uma meta mais ambiciosa de redução das emissões de carbono até 2030 antes da cúpula.

- Rússia e Ártico -Blinken também vinculou o impacto das mudanças climáticas à migração centro-americana, um tema cada vez mais complicado para Biden; e a uma maior competição no Ártico à medida que o gelo derrete e os cursos d'água se abrem.

Blinken destacou o aumento da atividade da China e especialmente da Rússia no Ártico.

"A Rússia está explorando esta mudança para tentar exercer controle sobre o novo espaço", disse o secretário de Estado, que confirmou sua participação em uma reunião na próxima semana na Islândia do Conselho do Ártico.

Este encontro poderia ser a primeira oportunidade para Blinken se reunir com o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, em meio às tensões crescentes entre os dois países, incluindo as sanções impostas na semana passada pelos Estados Unidos por suposta interferência eleitoral e ação de hackers por parte de Moscou.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também pediu nesta segunda a adoção de medidas drásticas sobre o clima, ao afirmar que o mundo está "à beira do abismo", depois que 2020 se tornou outro ano entre os mais quentes já registrados, apesar da desaceleração econômica provocada pela pandemia do coronavírus.

sct/sst/gma/ic/lb/mvv