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Microsoft defende que mecanismos de busca paguem por notícias no mundo todo

Microsoft quer que veículos de comunicação sejam pagos por suas publicações online - Patricia De Melo Moreira/AFP (Getty Images)
Microsoft quer que veículos de comunicação sejam pagos por suas publicações online Imagem: Patricia De Melo Moreira/AFP (Getty Images)

Da AFP, em San Francisco (EUA)

12/02/2021 15h03

A Microsoft fez lobby nesta quinta-feira (11) para que outros países sigam o exemplo da Austrália, que quer que veículos de comunicação sejam pagos por suas publicações online, enquanto o Facebook e o Google são contra o movimento.

Na semana passada, a Microsoft se ofereceu para ocupar o espaço do rival Google se a companhia seguir em frente com a ameaça de desligar seu mecanismo de busca na Austrália devido ao plano.

O presidente da Microsoft, Brad Smith, disse em um comunicado que a empresa apoia totalmente a legislação proposta na Austrália que forçaria o Google e o Facebook a remunerar a mídia por seu trabalho jornalístico.

"Isso criou uma divisão incomum dentro do setor de tecnologia, e ouvimos pessoas perguntando se a Microsoft apoiaria uma proposta semelhante nos Estados Unidos, Canadá, União Europeia e outros países", escreveu Smith em um blog. "A resposta curta é sim."

O Facebook e o Google ameaçaram bloquear serviços cruciais na Austrália se o projeto, agora em tramitação no parlamento, se tornar lei.

A situação levanta a questão de se o presidente dos EUA, Joe Biden, vai recuar da objeção de seu antecessor à proposta da Austrália.

"A questão fundamental é por quais valores queremos que o setor de tecnologia e o jornalismo independente sejam guiados", disse Smith.

Ele argumentou que as plataformas de internet que antes não compensavam as agências de notícias deveriam agora se esforçar para ressuscitar o jornalismo independente que está no "cerne de nossas liberdades democráticas".

"Os Estados Unidos não deveriam se opor a uma criativa proposta australiana que fortalece a democracia ao exigir que as empresas de tecnologia apoiem uma imprensa livre", afirmou Smith. "Em vez disso, deve copiá-la."

Oportunidade para o Bing?

A lei proposta na Austrália regeria as relações entre os meios de comunicação tradicionais, que passam por dificuldades financeiras, e os gigantes que dominam a internet e capturam uma parcela significativa das receitas da publicidade.

O motor de busca da Microsoft, o Bing, corresponde a menos de 5% do mercado na Austrália e de 15 a 20% do mercado nos Estados Unidos, segundo a empresa com sede em Washington.

"Com uma perspectiva realista de ganhar uma parcela dos usuários, estamos confiantes de que podemos construir o serviço que os australianos desejam e precisam", declarou Smith.

"E, ao contrário do Google, se pudermos crescer, estaremos preparados para cumprir as obrigações da nova lei, incluindo compartilhando receitas com as organizações de notícias."

De acordo com o Código de Negociação da Mídia proposto, o Google e o Facebook seriam obrigados a negociar pagamentos com cada empresa de comunicação pelo uso de seu conteúdo nas plataformas.

As maiores companhias de mídia da Austrália, a News Corp e a Nine Entertainment, de Rupert Murdoch, estimam que os pagamentos chegariam a centenas de milhões de dólares por ano.

Se não for possível chegar a um acordo sobre o tamanho dos pagamentos, a questão irá para a chamada mediação de "oferta final", em que cada lado propõe um valor e o árbitro escolhe um ou outro.

O Google e o Facebook, apoiados pelo governo dos EUA e pelos principais arquitetos da internet, disseram que o esquema prejudicaria seriamente seus modelos de negócios e o próprio funcionamento da internet.

Tanto o Facebook quanto o Google insistiram que estão dispostos a pagar aos editores por notícias por meio de acordos de licenciamento e negociações comerciais, e ambos assinaram acordos de milhões de dólares com organizações de notícias em todo o mundo.

O Google afirmou que o código de barganha deve se concentrar em facilitar esse tipo de negociação, mas rejeitou a ideia de uma mediação obrigatória de "oferta final".