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Cientistas datam a mais antiga cratera de meteoro do mundo: 2,2 bilhões de anos

21/01/2020 14h13

Paris, 21 Jan 2020 (AFP) - Uma cratera no oeste da Austrália foi formada pelo impacto de um meteoro há mais de 2,2 bilhões de anos e a ocorrência deste tipo é a mais antiga conhecida no mundo, segundo pesquisa publicada pelo Nature Communications Journal.

A cratera de Yarrabubba, que tem cerca de 70 km de diâmetro, é difícil de identificar devido à erosão de sua estrutura original e já era considerada uma das mais antigas da Terra. No entanto, até agora, tinha sido impossível datá-la com precisão.

Usando o método de datação ultrapreciso SHRIMP dating (microssonda iônica de alta resolução e de alta sensibilidade), pesquisadores da Universidade Curtin de Perth, na Austrália, conseguiram atingir os grãos de minerais que "registraram" o choque do impacto do meteoro, por meio de um processo de recristalização, segundo o estudo publicado na Nature Communications.

Veredicto: a cratera de Yarrabubba foi formada há 2,229 bilhões de anos. Esta data coincide com o final de um período hipotético de glaciação chamado "Terra bola de neve".

"Há evidências geológicas (separadas do estudo), baseadas na presença de depósitos, da existência de geleiras na Terra entre 2,4 e 2,2 bilhões de anos atrás. E o depósito mais novo, encontrado na África do Sul, corresponde à idade do impacto de Yarrabubba", explicou à AFP Timmons Erickson, do centro Johnson da Nasa, principal autor do estudo.

Se nada prova a existência de uma geleira na zona de impacto, "é interessante notar que, neste local, os depósitos de gelo estão ausentes da memória dos minerais durante aproximadamente 400 milhões de anos após o choque", ressalta Christopher Kirkland, outro autor do estudo.

Os pesquisadores sugerem, portanto, com base na modelagem numérica, o cenário de um meteorito que teria atingido uma paisagem congelada, perfurando uma camada de gelo de 5 km de espessura e projetando na atmosfera uma quantidade fenomenal de vapor de água - até 500 bilhões de toneladas.

Essa ejeção de vapor d'água, "um gás de efeito estufa ainda mais poderoso que o CO2", teria levado a um aquecimento, ajudando o planeta a emergir dessa era glacial.

Um cenário incomum, uma vez que a maioria dos impactos de meteoritos está associada ao resfriamento geral - o exemplo mais conhecido é o do asteroide que atingiu o Yucatán no México e que teria encerrado o reinado dos dinossauros em torno de 66 milhões de anos atrás.

"Nossas simulações são únicas durante um período de glaciação", argumenta Timmons Erickson, admitindo que, nesta fase, é uma "hipótese".

"Esperamos que isso inspire outros pesquisadores a investigar as consequências climáticas de um impacto" durante essa era glacial.

sah-juc/ial/or/mr

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