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Estrela Betelgeuse está se apagando e pode explodir em supernova

Quase mil vezes maior que o Sol, Betelgeuse tem perdido sua luminosidade drasticamente desde meados de novembro - Divulgação/ESO
Quase mil vezes maior que o Sol, Betelgeuse tem perdido sua luminosidade drasticamente desde meados de novembro Imagem: Divulgação/ESO

14/01/2020 13h03Atualizada em 15/01/2020 15h10

Paris, 14 Jan 2020 (AFP) - A estrela gigante Betelgeuse, uma das mais brilhantes da Via Láctea, tem perdido luminosidade há algumas semanas e este evento pode anunciar sua explosão em supernova, fenômeno raríssimo na nossa galáxia.

Localizada na constelação de Órion, esta "supergigante vermelha", quase mil vezes maior que o Sol, brilha intensamente no céu no inverno (na Europa, verão no Brasil), quando é vista a olho nu graças a sua coloração laranja.

Entre as dez estrelas mais brilhantes da galáxia, "sua luminosidade caiu drasticamente desde meados de novembro, da ordem de 70%", explicou à AFP Pierre Kervalla, do Observatório de Paris (PSL).

Alertados por observadores amadores, os astrônomos iniciaram em dezembro uma vasta campanha de observação, mobilizando os maiores telescópios do planeta, incluindo o Very Large Telescope no Chile.

"Está fervendo! Criamos um grupo de pesquisa em todo o mundo para usar todos os instrumentos capazes de capturar imagens da superfície de Betelgeuse", disse Eric Lagadec, do laboratório Lagrange, da Riviera francesa.

E centenas de astrônomos amadores estão envolvidos e "passam a noite em seus jardins ou em seus locais de observação favoritos" para fornecer medições adicionais, contou esse pesquisador do CNRS.

Várias hipóteses foram apresentadas: poderia se tratar de uma ejeção de gás formando poeira e ocultando a radiação ou da morte de Betelgeuse, o que resultaria em uma explosão em supernova.

Se parece improvável num futuro próximo, faz os astrônomos sonharem: a estrela no final de sua vida não tendo mais "combustível" (da fusão nuclear), seu coração se fundirá em si mesmo e formaria uma estrela de nêutrons, um objeto muito compacto que cria uma onda de choque deslocando completamente a estrela, tudo em apenas algumas horas.

"Espetáculo inesquecível para a Humanidade"

Tamanho do disco de Betelgeuse, uma das estrelas mais brilhantes da galáxia, em comparação ao Sistema Solar - ALMA/Gorman/Kervella
Tamanho do disco de Betelgeuse, uma das estrelas mais brilhantes da galáxia, em comparação ao Sistema Solar
Imagem: ALMA/Gorman/Kervella

Da Terra, observaríamos a olho nu um ponto tão brilhante quanto a Lua no céu dia e noite. A isto se acrescentaria um belo espetáculo, "aquele de um eco de luz que se propaga ao redor, como círculos na água", explica Pierre Kervalla.

Após várias semanas, esse ponto desapareceria e formaria uma nebulosa, visível no céu por milhares de anos, como a do Caranguejo, resíduo da supernova que ocorreu em 1054 (relatada por astrônomos chineses).

"Seria um espetáculo inesquecível para toda a Humanidade. Espero poder ver uma supernova na minha vida", diz Eric Lagadec. Porque esse fenômeno ocorre apenas uma vez por século na Via Láctea, e a última formação de supernova observada remonta a 1604.

A explosão de Betelgeuse é esperada, já que a estrela, de "apenas" 10 milhões de anos, está de fato no fim de sua vida.

Mas é difícil prever com precisão quando ele morrerá, porque não há sinal de alerta: "É como um terremoto; um dia antes da explosão, a estrela será a mesma", explica Pierre Kervalla.

Então isso poderia acontecer nas próximas semanas, ou daqui a 100 mil anos. "Não temos como saber", admite Andrea Chivassia.

De qualquer forma, seria seguro para o nosso planeta, já que Betelgeuse está a 600 anos-luz de distância. "Se a virmos explodir daqui, significa que a explosão ocorreu fisicamente há 600 anos", lembra Pierre Kervalla.

No plano científico, o evento permitiria aos astrônomos acompanhar diretamente, e pela primeira vez na história, as diferentes fases da explosão, um medidor precioso para medir a expansão do Universo.

"Também entenderíamos o que acontecerá com a futura geração de estrelas", segundo Andrea Chivassia.

Astronomia