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Poeira estelar mais velha que a Terra é encontrada em meteorito na Austrália

Imagem divulgada pela Nasa mostra exemplo de nebulosa e, em destaque, o grão pré-solar descoberto na Austrália - Nasa/W Sparks/R Sahai/PA
Imagem divulgada pela Nasa mostra exemplo de nebulosa e, em destaque, o grão pré-solar descoberto na Austrália Imagem: Nasa/W Sparks/R Sahai/PA

13/01/2020 19h49

Washington, 13 Jan 2020 (AFP) - Pesquisadores afirmaram nesta segunda-feira (13) que novas técnicas permitiram que eles identificassem o material sólido mais antigo já encontrado na Terra.

A poeira estelar, formada há mais de 5 bilhões de anos, veio de um meteorito que caiu na Terra há 50 anos, na Austrália, afirmaram em artigo publicado no PNAS.

Ele caiu em 1969 em Murchison, no estado de Victoria, e cientistas do Chicago's Field Museum têm um pedaço dele há cinco décadas.

Philipp Heck, curador de meteoritos no museu, examinou grãos pré-solares, que são pedaços de poeira estelar que ficaram presos nos meteoritos, transformando-as em cápsulas do tempo de períodos anteriores ao surgimento do sol.

"São amostras sólidas de estrelas, verdadeira poeira estelar", afirmou Heck em nota.

Quando as primeiras estrelas morreram, após 2 bilhões de anos de vida, elas deixaram uma poeira estelar, que formou um bloco que caiu na terra como um meteorito na Austrália. Apesar de pesquisadores terem identificado os grãos em 1987, sua idade não tinha sido determinada.

Mas Heck e seus colegas recentemente usaram um novo método para datar esses grãos, que são microscópicos. Eles são formados de carboneto de silício, o primeiro mineral formado quando uma estrela resfria.

Para separar os grãos antigos de outros relativamente mais novos, os cientistas pulverizaram fragmentos do meteorito. Eles foram dissolvidos em ácido, e o que restou foram apenas as partículas pré-solares. "Foi como queimar o palheiro para achar a agulha", explicou Heck.

Quando a poeira está no espaço, ela é exposta a raios cósmicos, que lentamente mudam sua composição. Isso permite que os pesquisadores encontrem sua idade.

Há uma década, apenas 20 grãos de meteorito eram datados, usando um método diferente. Agora, pesquisadores conseguiram determinar a idade de 40 grãos, a maior deles entre 4,6 bilhões e 4,9 bilhões de anos de idade.

Essas idades correspondem ao momento em que as primeiras estrelas começaram a morrer. Como esse tipo de astro vivia de 2 bilhões a 2,5 bilhões de anos, a poeira estelar pode ter até 7 bilhões de anos de idade.

"Esses são os materiais sólidos mais antigos já encontrados, e eles nos contam como as estrelas se formaram em nossa galáxia", celebrou Heck.

A nova ferramenta de datação confirma uma teoria astronômica que supunha um "baby boom" de estrelas antes da formação do sol, em vez de um ritmo constante de formação delas.

"Basicamente, chegamos à conclusão de que houve uma época em nossa galáxia em que se formaram mais estrelas que o normal, e no fim de suas vidas elas produziram poeira", contou Heck à AFP.

O desafio agora é aplica o mesmo método a outros meteoritos. Mas, de acordo com Heck, há menos de cinco fragmentos conhecidos em coleções que são grandes o bastante para abrigar esses segredos.

Astronomia