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Última reunião plenária para tentar alcançar acordo na COP25

15/12/2019 08h29

Madri, 15 dez 2019 (AFP) - Após duas noites de intensas negociações, os cerca de 200 países signatários do Acordo de Paris estão reunidos neste domingo (15) para tentar encontrar um acordo e evitar o naufrágio da COP25, pressionada por todos os lados a responder com ambição à emergência climática.

"Parece que a COP25 está desmoronando. A ciência é clara, mas a ciência é ignorada", tuitou durante a noite a jovem ativista climática Greta Thunberg, que inspirou milhões de jovens a exigir medidas radicais e imediatas para limitar o aquecimento global.

"Aconteça o que acontecer, não vamos desistir. Estamos apenas começando", acrescentou a adolescente sueca, estrela desta conferência climática da ONU.

A COP25 deveria, teoricamente, terminar na sexta-feira à noite, mas as grandes divisões sobre assuntos importantes, como ambição e financiamento, ainda não permitiram alcançar um compromisso.

No sábado, uma proposta de texto da presidência chilena foi recusada muitos países, por razões às vezes diametralmente opostas, alguns exigindo mais audácia, outros arrastando os pés.

"Não podemos dizer ao mundo que estamos diminuindo nossas ambições na luta contra as mudanças climáticas", insistiu o vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans.

Esta manhã, uma nova versão parecia mais consensual. "O que a presidência apresentou esta noite sobre a ambição foi bom", disse a representante das Ilhas Marshall, Tina Stege, que preside a coalizão dos países mais ambiciosos na luta contra o aquecimento global.

"A linguagem da ambição ainda é fraca, mas está melhor. Provavelmente será aprovada", disse Yamide Dagnet, do World Resources Institute.

No atual ritmo de emissão de gases do efeito estufa, a temperatura pode aumentar até 4 ou 5°C até o final do século. Mesmo que os cerca de 200 signatários do Acordo de Paris respeitem seus compromissos, o aquecimento global seria superior a 3°C.

Todos os Estados deverão apresentar até a COP26 de Glasgow uma versão revisada de seus compromissos. Nesta fase, cerca de 80 países se comprometeram a apresentar um aumento de suas ambições, mas eles representam apenas cerca de 10% das emissões globais.

E quase nenhum dos maiores emissores, China, Índia ou Estados Unidos, parece querer se juntar a este grupo.

Somente a União Europeia "endossou" esta semana em Bruxelas o objetivo de neutralidade de carbono até 2050. Mas sem a Polônia, muito dependente do carvão. E os europeus ainda vão levar meses para decidir sobre um aumento de seus compromissos para 2030.

"A presidência chilena tem uma tarefa: proteger a integridade do Acordo de Paris e não deixá-lo destruído pelo cinismo e pela ganância", denunciou a chefe do Greenpeace, Jennifer Morgan.

"Um punhado de países barulhentos sequestrou o processo e fez o resto do planeta refém", disse Jamie Henn, da ONG 350.org.

Na mira dos defensores climáticos, além dos Estados Unidos que deixará o Acordo de Paris em novembro de 2020, China e Índia, que insistem, antes de evocar seus próprios compromissos revisados, na responsabilidade dos países desenvolvidos a fazer mais e manter sua promessa de ajuda financeira aos países em desenvolvimento.

Mas também a Austrália e o Brasil, ambos acusados de querer introduzir nas discussões disposições sobre o mercado de carbono que, segundo especialistas, minam o próprio objetivo do Acordo de Paris.

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