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Índia na expectativa de seu primeiro pouso na Lua

Com missão Chandrayaan-2, Índia quer explorar o polo sul da Lua - ARUN SANKAR / AFP
Com missão Chandrayaan-2, Índia quer explorar o polo sul da Lua Imagem: ARUN SANKAR / AFP

Nova Délhi

06/09/2019 10h26

A Índia viverá 15 minutos de suspense na noite de hoje com o pouso na Lua de uma sonda sem tripulação e, na sequência, com a tentativa de fazer este satélite retornar para a Terra.

Este evento é considerado uma etapa para chegar a Marte.

Lançado em 22 de julho de uma plataforma no sul da Índia, o módulo de descida Vikram da missão Chandrayaan-2 deve pousar entre 1h30 e 2h30 de sábado (17h-18h de sexta em Brasília) perto do polo sul lunar, após um mês e meio de rotações orbitais da Terra e, então, da Lua.

Quando estiver imobilizado, a sonda vai liberar, entre 5h30 e 6h30 (21h-22h de sexta em Brasília), um pequeno robô móvel. Ele terá de funcionar por energia solar durante pelo menos 14 dias e coletar amostras científicas.

Se a alunissagem for realizada com sucesso, a Índia se tornará a quarta nação no mundo a conseguir pousar um aparelho em solo lunar, depois de União Soviética, Estados Unidos e China.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, assistirá ao pouso da sede geral da agência espacial ISRO, em Bangalore.

Esta é uma fase muito complexa. Se o aparelho não desacelerar o suficiente, chegará muito rápido e se chocará contra a superfície. Em abril, uma sonda lunar israelense fracassou na queda e caiu.

No Dia D, "teremos 15 minutos aterradores para fazer o pouso com total segurança perto do polo sul", disse em julho o presidente da ISRO, K Sivan.

Chandrayaan-2 - "carro lunar", em hindi - será o primeiro aparelho espacial a pousar na região do polo sul, inexplorada pelo homem. As alunissagens anteriores, especialmente as do programa americano Apollo, aconteceram no nível do equador, na face visível da Lua.

No início do ano, uma sonda chinesa aterrissou pela primeira vez na parte oculta.

"A Índia vai aonde, provavelmente, estarão as futuras colônias humanas em 20, 50, ou 100 anos", explica Mathieu Weiss, representante do CNES francês na Índia.

"É por isso que toda comunidade científica acompanha esta missão", completou.

Os polos lunares têm temperaturas constantes e água, em forma de gelo, à sombra de enormes crateras. São fatores cruciais para poder instalar futuros centros, imaginados como terrenos de experimentação científica e bases com destino ao planeta Marte.

"Vai-se à Lua, porque é a primeira etapa para ir para Marte. Não é interessante ir à Lua, se não estiver dentro da perspectiva global de voos para Marte", afirma Weiss.

"Se a gente quiser sobreviver na Lua, precisaremos de água para viver e precisamos de água para produzir energia. Com água, podemos fazer os motores funcionarem", completou.

Nova Délhi investiu 140 milhões de dólares no Chandrayaan-2, um montante bem inferior aos das demais agências espaciais para uma missão deste tipo.

Até 2022, a ISRO espera enviar três astronautas ao espaço, o que será seu primeiro voo tripulado. Seus cientistas também trabalham na elaboração de sua própria estação espacial, um projeto que pode se concretizar na próxima década.

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