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Com novo processo na Justiça dos EUA, Huawei chama boicote de "tirânico"

Empresa decidiu recorrer à Justiça para que as proibições comerciais sejam derrubadas - Aly Song/Reuters
Empresa decidiu recorrer à Justiça para que as proibições comerciais sejam derrubadas Imagem: Aly Song/Reuters

Da AFP, em Shenzhen (China)

29/05/2019 08h58

O gigante chinês das telecomunicações Huawei iniciou uma nova ofensiva contra o governo de Donald Trump ao anunciar nesta quarta-feira (29) que solicitou a um tribunal federal dos Estados Unidos que anule o que chamou de medida "tirânica" medida que proíbe a compra de seus produtos por parte das agências federais do país.

"O governo americano não apresentou nenhuma prova que demonstre que a Huawei representa uma ameaça para a segurança. Não há arma, nem fumaça. Apenas suposições, declarou em uma entrevista coletiva Song Liuping, diretor jurídico da empresa.

"O sistema judicial é o último recurso para obter justiça. A Huawei confia na independência e na integridade do sistema judicial americano", completou Song diante dos jornalistas na sede da empresa em Shenzhen (sul da China).

"O projeto de lei determina diretamente que a Huawei é culpada e impõe um amplo volume de restrições à Huawei com o objetivo evidente de expulsá-la do mercado americano", afirmou Song Liuping algumas horas antes em um comunicado divulgado pelo canal estatal CCTV.

Huawei já havia apresentado uma ação em março, no Texas, alegando que o Congresso americano não havia obtido provas que justificassem as restrições "inconstitucionais" aos produtos do grupo.

O diretor jurídico explicou que a petição da Huawei para um julgamento sumário (procedimento que busca obter a decisão de um juiz sem a celebração de um julgamento completo) foi apresentada na terça-feira (horário americano, quarta-feira na China).

"Esperamos que os tribunais americanos declarem que a proibição à Huawei é inconstitucional e impeçam sua entrada em vigor", acrescentou Song.

O alvo da empresa é a proibição da compra de equipamentos ou serviços da Huawei por parte das agências federais dos Estados Unidos, que também estão proibidas de trabalhar com outras companhias que sejam clientes do grupo chinês.

"Esta forma de atuar consistente em utilizar a legislação ao invés de julgar é um ato tirânico e está proibido explicitamente pela Constituição americana", afirmou o diretor jurídico da Huawei.

A decisão desta quarta-feira foi anunciada no momento em que a Huawei é alvo de uma série de ataques de parte de Washington.

Como a treta China x EUA pode afetar sua banda larga.

Guerra da internet móvel

Em plena guerra comercial sino-americana, a administração do presidente Donald Trump colocou a Huawei na lista negra de empresas suspeitas proibidas de comprar equipamentos tecnológicos dos EUA, o que ameaça a sobrevivência do grupo, já que seus smartphones dependem de componentes fabricados nos Estados Unidos.

Washington afirma que Pequim pode estar manipulando os sistemas da Huawei para espionar outros países e interferir em comunicações cruciais, e pede a outros países que evitem as redes 5G do grupo chinês.

A imprensa informou que as empresas americanas Qualcomm e Intel, duas fabricantes importantes de processadores, anunciaram que deixarão de fornecer produtos ao grupo chinês quando terminar o prazo de suspensão da lei concedido pela Casa Branca.

A Huawei é líder mundial do setor de equipamentos para redes de telecomunicações e uma das principais fabricantes de smartphones, ao lado da Samsung e da Apple.

A batalha iniciada na justiça americana mostra que o grupo chinês pretende utilizar todos os recursos, incluindo os tribunais nacionais, para evitar a exclusão da corrida pelo mercado da rede 5G, o futuro das telecomunicações de alta velocidade.

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