PUBLICIDADE
Topo

Thiago Gonçalves

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

James Webb está on: o que fazem e como funcionam as câmeras do telescópio

Imagem de calibração obtida pelo telescópio espacial James Webb. Cada parte da imagem corresponde a um instrumento diferente do telescópio - Nasa/ STScI
Imagem de calibração obtida pelo telescópio espacial James Webb. Cada parte da imagem corresponde a um instrumento diferente do telescópio Imagem: Nasa/ STScI
Conteúdo exclusivo para assinantes
Thiago Signorini Gonçalves

Thiago Signorini Gonçalves é doutor em astrofísica pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia, professor do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e coordenador de comunicação da Sociedade Astronômica Brasileira. Utilizando os maiores telescópios da Terra e do espaço, estuda a formação e evolução de galáxias, desde o Big Bang até os dias atuais. Apaixonado por ciência, tenta levar os encantos do Universo ao público como divulgador científico.

04/05/2022 04h00

Na última semana a Agência Espacial Europeia divulgou as últimas imagens de calibração do telescópio espacial James Webb. O que impressiona mais é a demonstração com todos os instrumentos do telescópio atuando em conjunto, mostrando que está tudo pronto para o início das operações científicas em breve.

É importante lembrar que o James Webb tem várias câmeras, não apenas uma. Cada câmera tem uma especialidade, e assim o telescópio pode cumprir várias tarefas científicas, adaptando-se a cada pergunta que tenta responder.

A NIRCAM, por exemplo, que pode ser vista no centro da imagem, é a câmera que vai obter as imagens mais precisas. Com dois detectores paralelos, ela opera no infravermelho próximo e deve ser aquela que vai produzir as fotos mais bonitas que o James Webb vai divulgar.

O NIRSPEC, por outro lado, é o que chamamos de um espectrógrafo. Não é possível notar nessa imagem, mas ele tem uma série de micro-obturadores, ou seja, "janelinhas" microscópicas que se abrem e fecham de acordo com a necessidade. Isso permite aos cientistas que identifiquem, por exemplo, a composição química ou movimento dos objetos em cada pixel da imagem.

Tem também o NIRISS, ali no canto direito na parte de baixo. Ele é como uma mistura dos dois anteriores: vai poder fazer imagens, mas também consegue identificar a composição dos objetos.

Por último, meu favorito: o MIRI opera em energias mais baixas que os outros instrumentos. Isso quer dizer que essa câmera é capaz de "enxergar" objetos mais frios. Assim, além das estrelas, ela também pode enxergar melhor o gás ao seu redor. Esse gás é o combustível para a formação de novas estrelas — esperamos então entender melhor, com o James Webb, como estrelas nascem em galáxias.

O Fine Guidance Sensor, que aparece na parte inferior da imagem, não foi feito para ciência, mas principalmente para verificar se o telescópio está apontando na direção certa. Mas tenho certeza de que um cientista mais criativo será capaz de encontrar um uso inovador para esse instrumento.

Por último, deixo vocês com essa imagem incrível compilada pelo astrônomo András Gáspár, da Universidade do Arizona. Ele fez essa comparação do poder de observação do James Webb com seus antecessores. Com essa melhoria, podemos esperar coisas incríveis desse observatório!