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Thiago Gonçalves

Precisa botar o olho? Veja os 5 maiores mitos sobre telescópio profissional

Very Large Telescopes, no Chile: cada prédio abriga um telescópio com 8 metros de diâmetro - Iztok Boncina/ ESO
Very Large Telescopes, no Chile: cada prédio abriga um telescópio com 8 metros de diâmetro Imagem: Iztok Boncina/ ESO
Thiago Signorini Gonçalves

Thiago Signorini Gonçalves é doutor em astrofísica pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia, professor do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e coordenador de comunicação da Sociedade Astronômica Brasileira. Utilizando os maiores telescópios da Terra e do espaço, estuda a formação e evolução de galáxias, desde o Big Bang até os dias atuais. Apaixonado por ciência, tenta levar os encantos do Universo ao público como divulgador científico.

15/10/2020 04h00

No último final de semana, colegas do meu grupo de pesquisa estavam usando um telescópio no Chile para observar galáxias.

Então fiquei pensando... Quando converso com amigos e o público em geral, vejo que ainda existem muitos mitos sobre o que nós, astrônomos e astrônomas, fazemos nos telescópios. Aí resolvi fazer uma lista com os maiores mitos sobre observações com telescópios profissionais. Vamos lá!

1. Não usamos telescópios no local de trabalho habitual

Muita gente pensa que nas universidades e institutos de pesquisa temos telescópios. Às vezes, até é verdade, mas são apenas instrumentos históricos ou para atividades com o público leigo.

Pensem bem, hoje em dia os principais telescópios para pesquisa têm o tamanho de um prédio, com espelhos de diâmetros de 10 metros ou mais! Cada um desses laboratórios custa dezenas de milhões (ou bilhões!) de dólares, e é impossível pensar em uma universidade cuidando disso.

Atualmente, os principais telescópios encontram-se em regiões remotas, e são administrados por consórcios de universidades ou governos de vários países, que juntos podem assumir os custos e responsabilidades.

2. Não há onde colocar o olho...

Algumas pessoas ainda imaginam astrônomos grudando o olho no telescópio para observar os céus, mas isso não é assim há algum tempo. Como poderíamos registrar os dados?

Hoje em dia os telescópios usam câmeras digitais, parecidas com a que você tem no seu celular. Esses dados são gravados e depois podem ser analisados em computadores pelos cientistas. Isso também permite que anos depois possamos rever o que já foi feito.

Isso vale para telescópios espaciais também, claro! Já imaginou ter que viajar ao espaço para usar o Hubble?

3. ...Nem precisamos estar fisicamente no telescópio

Como é tudo digital, pesquisadores podem utilizar o telescópio à distância. Nos últimos dias, por exemplo, nossa equipe estava no Rio de Janeiro, controlando o instrumento no Chile pela internet.

Às vezes, podemos até mandar uma lista do que gostaríamos de observar com os telescópios, e nem precisamos ficar acordados durante a noite. Sempre há uma equipe permanente nos observatórios, que se responsabiliza pelo funcionamento dos telescópios.

4. São poucas noites de observação por ano

Algumas pessoas acham que passamos muitas noites por ano no telescópio, mas com instrumentos tão caros isso é impossível. Em alguns casos, estima-se um custo de US$ 100 mil por noite de observação.

Isso também quer dizer que uma noite produz uma enorme quantidade de dados. Dessa forma, gastamos a maior parte do tempo em frente ao computador,usando técnicas matemáticas e estatísticas para analisar os dados observacionais.

5. Astrônomos não conhecem as constelações

Essa não necessariamente é verdade, mas não precisamos conhecer as constelações para saber para onde apontar o telescópio.

De forma geral nem podemos ver os objetos que desejamos pesquisar no céu, são muito fracos! Então trabalhamos com um sistema de coordenadas, e os telescópios são computadorizados. Ou seja, escrevemos as coordenadas e o telescópio aponta sozinho. Fácil, né?

E aí, você ainda acreditava em algum desses mitos? Tem mais perguntas sobre como funciona um telescópio? Comente aí embaixo!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.