PUBLICIDADE
Topo

De Fall Guys a Tetris: galera está conectando vibrador a ação de games

Montagem sobre imagem de divulgação
Imagem: Montagem sobre imagem de divulgação
Felipe Germano

Felipe Germano é jornalista que escreve sobre comportamento humano, saúde, tecnologia e cultura pop. Para encontrar as boas histórias, atravessa o planeta: visitou de clubes de swing e banheiros do sexo paulistanos à sets de cinema hollywoodianos. Já trabalhou nas redações da Jovem Pan, do site Elástica, na revista Época e na revista Superinteressante.

10/09/2020 04h00

O conceito das Olimpíadas do Faustão é irresistível. Tem algo mágico em ver pessoas passarem obstáculos completamente absurdos enquanto tentam cruzar uma linha de chegada. Talvez seja puro sadismo por vermos o pessoal falhar. Talvez a gente até torça por essa galera, que tem o poder único de uma história de superação. Não sei.

O que sei é que se assistir a essas pessoas passando por isso já é genial, participar da brincadeira —e sem correr o risco de Fausto Silva rir de você em rede nacional— tem ainda mais potencial.

Não é à toa que Fall Guys estourou. O jogo, caso ainda não conheça, te coloca na pele de bonequinhos que tentam sobreviver em meio a percursos arquitetados para que a maioria dos jogadores não chegue ao final. Tem chão que cai, parede que empurra, alavanca que arremessa. Todo tipo de artifício para dificultar a vida dos jogadores, que vão sendo eliminados da brincadeira.

Isso muita gente já sabe: o jogo bateu mais de 7 milhões de downloads. Virou um verdadeiro hit da quarentena. O que talvez seja uma novidade até para quem já garantiu uma vitória ou outra no game é que o prazer de jogar pode vir acompanhado: dá para sincronizar o jogo (e praticamente qualquer outro) com vibradores. E há quem já fez isso.

Na segunda-feira, dia 31, a jornalista britânica Ana Valens fez uma live no site adulto Many Fans onde jogava o game enquanto um vibrador reagia ao que acontecia na tela. Tudo rolava em tempo real. Ela batia em alguém? O sex toy vibrava. Conseguia passar a linha de chegada? Tremia. Caía? Bzzz. Em pouco mais de uma semana, o vídeo atingiu quase 20 mil visualizações.

Valens conseguiu isso graças ao Buttplug.io, uma iniciativa de código aberto que explora hardwares e softwares de sex toys. A ideia é fuçar os códigos de vibradores para moldar as funcionalidades ao seu prazer —e propor novas ferramentas não imaginadas inicialmente pelos produtores.

Uma dessas funções está em sincronizar o vibrador com outros aparelhos. Valens escolheu um controle de PS4. Então toda vez que o controle vibra, o sextoy também era ativado.

sexting game
Imagem: Giphy

Na prática, isso significa que se a ideia de jogar com seu sex toy te anima, você não necessariamente precisa gostar de Fall Guys. Dá para linkar um vibrador com qualquer jogo. De Tetris a Dark Souls. Você que manda. De repente, você tem um novo motivo para voltar a jogar Guitar Hero ou Fortnite (só não conta pra Apple?).

O sistema possui um tutorial, para quem quiser experimentar a brincadeira em casa. E é compatível com quase 300 modelos de vibradores (a lista completa você pode ver aqui). Vale, no entanto, checar direitinho quais os termos da garantia do seu produto —que pode ser violada quando você decide mexer no código, como é o caso.

A ligação de vibradores e videogames não é exatamente inédita. Em 2002, o jogo Rez, para Playstation 2 podia ser conectado a um acessório chamado Trance. Uma pequena peça de plástico que parecia uma caixa de óculos. A ideia é que a peça fosse posicionada na horizontal, e o jogador sentasse em cima, durante a partida. O brinquedinho, então, vibrava conforme os avanços no jogo.

Um pouco controverso, o acessório nunca foi lançado fora do Japão.

Vinte anos depois, a coisa ficou um pouquinho mais fácil. Você não precisa atravessar o mundo. Basta ter um vibrador e um bom jogo. Ô louco, meu.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL