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Ricardo Cavallini

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

'5G é coisa de pobre': espero que essa afirmação vire realidade no país

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Imagem: rawpixel.com/ Freepik
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Ricardo Cavallini

Autor de 6 livros que abordam tecnologia, negócios e comunicação. É professor da Singularity University, embaixador MIT Sloan Management Review Brasil e um dos apresentadores do Batalha Makers no Discovery Channel (Brasil e Latam). Criador do RUTE, o kit educacional eletrônico aberto, ecológico e mais acessível.

07/11/2021 07h00

O 5G é coisa de pobre, ou melhor, deveria ser. Claro, o jogo de palavras é uma provocação. É inegável o poder do 5G para uma imensidade de inovações como o exemplo mais óbvio e mais lembrado por todos, o do carro autônomo, que vai demandar uma conexão melhor que o 4G.

E são muitas as vantagens. A velocidade deve ser algumas vezes mais rápida que o 4G. Quanto? Só saberemos na prática. Tudo isso depende de infraestrutura.

O tempo de resposta também é muito menor. Se você esta vendo um filme na sua plataforma de streaming preferida, tudo bem o filme demorar 1 ou 2 segundos para começar, mas se você é um cirurgião e está fazendo uma operação a distância, ter informação em tempo real é fundamental.

O 5G também suporta muito mais aparelhos na mesma antena, evitando congestionamento em áreas muito populosas ou grandes eventos.

O impacto será imenso, viabilizando uma série de soluções bem como a tal internet das coisas. Com tudo conectado, permitirá as cidades ficarem mais inteligentes e trazer inovações na agricultura, na saúde, na indústria, no varejo e em todos os outros segmentos.

Mas isso dito, precisamos lembrar que o 5G, mais do que uma evolução, é uma necessidade para dar conta de tanta demanda. Cada ano que passa, mais pessoas estão ligadas à internet.

Quando o 4G foi lançado, a estimativa era de 80 milhões de brasileiros. Hoje são mais de 150 milhões. E cada vez mais estamos conectados, olhando no celular a cada 20 segundos e consumindo dados loucamente. Plataformas de streaming, aulas a distância, videoconferência do trabalho e compras online. Tudo isso sem contar tantos equipamentos novos ligados na internet, de relógios a aparelhos domésticos.

Banda larga de qualidade para todos

Tudo isso dito, voltamos à minha provocação. Eu espero de verdade que a verdadeira revolução do 5G seja levar internet de qualidade para os pobres.

A empresa que ganhou o leilão das frequências mais altas tem como compromisso levar conectividade para as escolas públicas e rurais. Isso não é pouco para um país como o Brasil.

E não só isso. As empresas vencedoras precisarão, além de instalar um monte de antenas novas, passar fibra e infraestrutura para suportar toda essa banda. Tudo isso atende ao tal carro autônomo, mas também irá melhorar a capilaridade digital para todos nós.

No Brasil, uma parte considerável da população pulou a linha discada indo direto para a linha móvel. Outra boa parte pulou o computador direto para o celular. Que o 5G seja um novo salto, levando banda larga de verdade para a população.

Esse é o meu desejo, agora é torcer para virar realidade. Afinal, por aqui as coisas nem sempre funcionam como deveriam.